Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Draghi admite que BCE poderá agir de novo em março

  • 333

Mario Draghi, presidente do BCE, disse hoje que poderá rever a sua política monetária daqui a dois meses, deixando implícita a hipótese de mais estímulos, o que agradou aos mercados

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse hoje que a instituição poderá rever a sua política monetária em março, deixando implícita a hipótese de mais estímulos, o que agradou aos mercados.

O BCE "não capitula", "tem o poder, a vontade e a determinação de agir" para cumprir o seu mandato, impulsionar a inflação na zona euro, muito baixa com a queda do preço do petróleo, afirmou Draghi na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do conselho de governadores, em Frankfurt.

"Não há limites para a utilização dos instrumentos de política monetária que estão à disposição do banco central, afirmou. Isso poderá ficar demonstrado em março, quando deverá ser "necessário reavaliar e possivelmente rever a política monetária" do BCE.

O presidente do banco central garantiu que "não há divisões" no conselho de governadores quanto à necessidade de agir para impulsionar a inflação.

Em dezembro, o BCE decidiu reduzir em 10 pontos base a sua taxa de juro aplicável aos depósitos, passando-a para -0,30% e reforçou o programa de compra de dívida que lançou em março passado, prolongando a sua duração e a gama de títulos que pode adquirir, mas desiludiu os mercados que esperavam um aumento do volume mensal de compra de ativos (que se manteve em 60 mil milhões de euros).

Hoje, após a reunião do BCE e apesar de nada de concreto ter sido anunciado, as bolsas europeias que tinham negociado hesitantes durante a manhã, reagiram de imediato com subidas.

Draghi afirmou que agora "as condições mudaram" e aumentaram os riscos para o crescimento económico na zona euro.

"A credibilidade do BCE seria prejudicada se não fosse capaz de rever a sua política" para a adaptar às condições que evoluem, apontou.

Apesar de reconhecer que "a dinâmica da inflação está abaixo do esperado", com uma inflação de 0,2% na zona euro, quando o BCE tem como objetivo 2%, Draghi reafirmou que a política adotada tem sido "eficaz", tanto o programa de compra de ativos, como os empréstimos aos bancos com taxas de juro baixas.

Hoje, o BCE deixou as taxas de juro inalteradas, com a taxa de juro aplicada às principais operações de refinanciamento em 0,05%, um mínimo histórico que tem permanecido desde setembro de 2014.

A próxima reunião de política monetária do BCE será a 10 de março.