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Davos debate 4ª revolução industrial com perda de cinco milhões de empregos

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Klaus Schwab, presidente e fundador do World Economic Forum (WEF)

RUBEN SPRICH / REUTERS

Além da perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos em todo o mundo, a quarta revolução industrial provocará “grandes perturbações não só no modelo dos negócios, mas também no mercado de trabalho nos próximos cinco anos”, indica um estudo do WEF, que organiza o Fórum de Davos

A quarta revolução industrial, que implicará a perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos nas principais economias mundiais, vai ser o tema principal do World Economic Forum (WEF) que começa esta quarta-feira em Davos, Suíça.

Além da perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos em todo o mundo, a quarta revolução industrial provocará "grandes perturbações não só no modelo dos negócios, mas também no mercado de trabalho nos próximos cinco anos", indica um estudo do WEF, que organiza o Fórum de Davos.

Depois da primeira revolução (com o aparecimento da máquina a vapor, da segunda (eletricidade, cadeia de montagem) e da terceira (eletrónica, robótica), surge a quarta revolução industrial que combinará numerosos fatores como a internet dos objetos ou a "big data' para transformar a economia.

"Sem uma atuação urgente e focada a partir de agora para gerir esta transição a médio prazo e criar uma mão-de-obra com competências para o futuro, os governos vão enfrentar um desemprego crescente constante e desigualdades", alerta o presidente e fundador do WEF, Klaus Schwab, citado num comunicado.

Segundo um outro estudo do WEF, "O peso da perda de empregos, como consequência da automatização e da desintermediação da quarta revolução industrial, vai ter um impacto relativamente equitativo entre homens e mulheres, já que 52% dos 5,1 milhões de empregos perdidos nos próximos cinco anos afetarão os homens e 48% as mulheres".

"Mas como as mulheres constituem uma parte menos importante atualmente que os homens no mercado de trabalho, isso significa que o fosso entre homens e mulheres poderia tornar-se maior", adianta o estudo.

Esta 46.ª edição do WEF, que termina a 23 de janeiro, ocorre numa altura em que o medo da ameaça terrorista e a falta de respostas coerentes para a crise de refugiados na Europa se juntam às dificuldades que a economia mundial encontra para voltar a crescer e à forte desaceleração das economias emergentes.

Apesar de ter passado quase meio século desde que começou, a atração do Fórum de Davos não diminui, pelo contrário parece reforçar-se, sobretudo tendo em conta a lista de participantes, entre os quais estão mais de 40 chefes de Estado e de governo de todas as regiões do mundo.

Os Estados Unidos enviam este ano a delegação mais numerosa de que há memória, incluindo o vice-presidente, Joe Biden, e titulares de seis pastas, designadamente os secretários de Estado, John Kerry, da Justiça, Loretta Lynch, e do Tesouro, Jacob Lew.

De países influentes, estarão presentes entre outros os primeiros-ministros do Reino Unido e da França e o vice-presidente da China.

A representação da América Latina deverá gerar expectativa com a estreia internacional do presidente da Argentina, Mauricio Macri, e a presença do da Colômbia, Juan Manuel Santos, para avaliar a reta final das negociações de paz com a guerrilha das FARC.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, terá como missão convencer os investidores dos atrativos do país, gravemente afetado pela violência relacionada com as máfias do narcotráfico.

De Portugal vão estar presentes o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos.

De nacionalidade portuguesa, vão estar em Davos o antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso (2004-2014) e os presidentes executivos do Lloyds Bank, António Horta Osório, e do HSBC, António Simões.

Outro português, Afonso Reis, vai estar presente em Davos como representante português da Global Shapers Community, no setor da educação, que é uma comunidade que junta jovens empreendedores por todo o mundo e uma iniciativa do WEF.

Várias edições do Fórum Económico proporcionaram encontros e diálogos inesperados, que em determinadas ocasiões contribuíram para baixar tensões entre países ou encaminhá-los para aproximações posteriores.

Assim, este ano especula-se sobre eventuais encontros para ajudar a desativar crises como as atuais entre a Turquia e a Rússia ou a do Irão com a maioria dos países do golfo Pérsico, depois da execução na Arábia Saudita de um líder religioso xiita.

A localidade suíça de Davos, apreciada pelos esquiadores pelas ótimas infraestruturas, recebe anualmente delegações oficiais de alto nível de 80 países, além de entre 2.000 e 3.000 empresários executivos e líderes da sociedade civil, de confissões religiosas, da juventude e da arte.

A concentração de personalidades obriga os organizadores e o Governo suíço a tomar medidas de segurança excecionais, mas este ano prevê-se que assumam dimensões nunca vistas até agora porque um encontro deste tipo é visto como um objetivo para os terroristas.

Um porta-voz da organização garantiu que não há motivo para preocupação porque a segurança será "muito boa".

Fundado em 1971, o Fórum de Davos apresenta-se como um "laboratório de ideias" para debater grandes temas relevantes para o mundo a curto e médio prazo.