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Portugal quer reforçar laços com um Irão livre de sanções

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AICEP vai ter delegação em Teerão para acelerar diplomacia económica entre os dois países. As trocas comerciais entre Portugal e o Irão movimentaram cerca de 37 milhões de euros em 2014, quase quatro vezes menos do que em 2010.

As trocas comerciais entre Portugal e o Irão movimentaram cerca de 37 milhões de euros, em 2014, quase quatro vezes menos do que em 2010, com Lisboa a ter apenas dois saldos comerciais positivos nesses quatro anos.

Segundo dados disponibilizados pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), na sua página oficial na Internet, em 2014 as trocas comerciais entre Lisboa e Teerão representaram 37,662 milhões de euros: Portugal exportou 7,030 milhões de euros para o Irão e importou ao país 30,632 milhões de euros, obtendo um saldo comercial negativo de 23,602 milhões de euros.

No entanto, as trocas comerciais entre os dois países chegaram a representar quase três vezes mais, ou seja, 146,227 milhões de euros, em 2010. Nesse ano, as exportações representaram 37,406 milhões de euros e as importações 108,821 milhões de euros, o que significou um saldo comercial negativo de 71,415 milhões de euros (o maior nesses quatro anos).

Entre 2010 e 2014, Portugal só conseguiu ter um saldo comercial positivo, ou seja, exportou mais do que importou, duas vezes. Em 2011 exportou 35,104 milhões de euros e importou 4,343 milhões de euros (o que constitui um saldo positivo de 30,761 milhões) e, em 2012, as exportações valeram 13,235 milhões euros e as importações pesaram 7,344 milhões de euros (saldo positivo de 5,890 milhões de euros).

Em quatro anos, as exportações caíram 29,4% e as importações aumentaram 46,3%, segundo os dados disponibilizados na página oficial da AICEP na Internet, que cita números do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre 2010 e 2014.

Como cliente de Portugal, o Irão ocupava o 57.º lugar, em 2010 e 2011 (com 0,10% e 0,08% das exportações, respetivamente), posição que foi caindo com o passar dos anos: 89.º, em 2012 (0,03% das exportações), 106.º, em 2013 (0,03% das exportações), e 110.º, em 2014 (com 0,01% das exportações).

Como fornecedor de Portugal, o Irão ocupava a 46ª posição em 2010 (com 0,19% das importações), a 109.ª em 2011 (com 0,01% das importações), começando a recuperar em 2012, para a 101.ª posição, nesse ano, e para o 91.º lugar, em 2013 (com 0,01% das importações nos dois anos), ocupando o 66.º lugar em 2014 (0,03%).

Em 2010, eram 113 as empresas portuguesas que exportavam para o Irão, número que aumentou em 2011, para 125, tendo descido para 87, em 2012, e para 58, em 2013, recuperando em 2014, totalizando 89 empresas.

Como cliente do Irão, Portugal ocupou o 32.º lugar, em 2010, posição que piorou entre 2011 e 2013, mas, em 2014, acabou por subir novamente, ficando em 31.º, ao representar 0,06% das exportações. Como fornecedor do Irão, Portugal teve a sua melhor posição em 2011, o 51.º lugar (com 0,08% das importações), e a pior, em 2013, o 63.º lugar. Em 2014, a posição era a número 60, com 0,01% das importações.

Nas exportações portuguesas para o Irão, as máquinas e aparelhos foram os mais vendidos em 2014, representando 1,882 milhões de euros, posição que manteve todos os anos desde 2010.

Nas importações portuguesas do Irão, o produto mais comprado foram os metais comuns (28,951 milhões de euros em 2014, 11,287 milhões em 2013 e 1,005 milhões em 2010).

Presença portuguesa mais forte no Irão, através de nova delegação da AICEP

O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Miguel Frasquilho, anunciou hoje a abertura de uma delegação da agência no Irão, ainda no primeiro semestre deste ano.

“Já lançámos o concurso para termos um delegado em Teerão e eu espero que isso acontece nos próximos dois ou três meses”, afirmou Miguel Frasquilho.

Em declarações à Lusa, na sequência do levantamento das sanções internacionais ao Irão, o dirigente da AICEP afirmou que se trata de “uma oportunidade extraordinária para as empresas portuguesas”, embora considere que “ainda é cedo para fazer uma antevisão dos resultados que poderão ser obtidos, nomeadamente ao nível das exportações”.

Contudo, salientou, “o mercado iraniano é um mercado de mais 80 milhões de consumidores, é o maior país daquela região. Quero deixar um sinal de otimismo e confiança aos empresários portugueses que irão poder contar com o apoio e a presença portuguesa da AICEP em Teerão”.

“Significará um aumento das trocas comerciais entre os dois países, mas queremos fazer mais, queremos colocar Portugal na rota do capital iraniano”, acrescentou.

Miguel Frasquilho referiu que “uma das prioridades da agência é a captação de investimento, a nível global, e agora com as sanções levantadas ao Irão pode haver um interesse acrescido dos investidores iranianos em olhar para o nosso país”.

Os setores que mais poderão beneficiar com o fim das sanções ao Irão são o agroalimentar, que já tem “registado uma evolução muito positiva nos mercados da região”, e o da construção civil.

“Outro setor onde claramente vamos apostar é o das tecnologias de informação e comunicação, onde Portugal dá cartas, e ainda mais agora, com a realização do Web Summit em Lisboa”, acrescentou.

O dirigente da AICEP considerou que “é cedo para fazer estimativas”, porque a decisão acabou de ser tomada, mas é “uma decisão que terá um impacto muito positivo nas nossas exportações para o irão e nas relações comerciais entre os dois países”.

O Conselho de Segurança da ONU levantou, no sábado, as sanções ao Irão, depois de a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ter confirmado que o país cumpriu todas as exigências para iniciar o acordo nuclear internacional.