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Portugal castigado nos mercados

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O índice PSI-20 afundou 3,7% com vários títulos a cair mais de 5%. E o risco do país aumentou. Ambiente negativo nos mercados a nível internacional e desconfiança dos investidores em relação a Portugal, após as decisões recentes na banca, são os factores que pesam

Portugal esteve hoje debaixo de fogo nos mercados com a Bolsa nacional a afundar 3,7% e o risco do país a aumentar, perante uma maior desconfiança dos investidores.

As recentes decisões na banca em Portugal e as políticas seguidas, nomeadamente a reversão de privatizações e aprovação das 35 horas, são encarados como sinais preocupantes.

"É o reflexo do risco político que aumentou e da desconfiança depois das últimas decisões", afirma João Lampreia, analista do BiG.

O PSI-20 caiu 3,71% e soma uma descida de quase 10% nas últimas três sessões. A Mota-Engil afundou 18,6% depois da negociação das suas ações ter estado suspensa após uma queda que superou os 22%. O índice europeu FTSEurofirst 300 desceu 0,29% num dia marcado por feriado nos Estados Unidos.

Na banca, o Millennium bcp perdeu 7,8%, num dia muito negativo para o setor na Europa.

"Não sabemos se hoje foi o canário a cantar na mina ou o último grito. Mas as perspetivas não são as melhores. Os riscos do país são inéditos e os bancos e as empresas mais endividades e dependentes da banca, como a Mota-Engil, foram muito penalizados", afirma um outro analista.

Entre os factores a pesar na decisão dos investidores está a recente transferência de cinco emissões de obrigações sénior do Novo Banco para o BES 'mau' anunciada pelo Banco de Portugal.

Um responsável de investimento da BlackRock, a mais penalizada com a decisão no Novo Banco, afirmou hoje à Bloomberg que os investidores estão desconfiados em relação a Portugal. O diferencial entre os juros da dívida soberana portuguesa e a alemã atingiram o máximo desde meados de 2014. E o prémio de risco também aumentou.