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Ações da Mota-Engil suspensas após queda de 22%

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CMVM suspendeu a negociação em Bolsa das ações da construtora. Perda é atribuída à baixa do preço do petróleo nos mercados internacionais onde a Mota-Engil tem as principais operações

Chegaram a desvalorizar 21,64%, para 1,13 euros. As ações da Mota-Engil afundaram esta segunda-feira e a Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM) suspendeu as negociações em Bolsa dos títulos da dívida, estando a aguardar esclarecimentos.

Na base das perdas estará a queda do preço do petróleo, que esta segunda-feira já negoceia abaixo dos 28 dólares por barril. A construtora tem as suas operações mais importantes em mercados africanos e da América Latina, muito expostos ao petróleo, sobretudo Angola.

O levantamento das sanções do Irão, durante este fim de semana, dá perspetivas de nova queda no preço do barril de petróleo, que já está no nível mais baixo desde 2004. Este domingo, Teerão anunciou que vai aumentar a oferta em 500 mil barris por dia, o que acrescenta mais oferta num mercado já com excesso de produto.

Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB, explica: "Os preços do petróleo estão na origem da pressão vendedora da Mota-Engil. O levantamento das sanções internacionais impostas ao Irão arrastam a cotação da matéria-prima antevendo-se um acentuar do desequilibro entre a oferta e a procura mundial. Isso mesmo, levou a matéria-prima a cotar em níveis de 2003, vincando a asfixia aos países produtores. Angola, um dos países mais prejudicados com o movimento do preço, começa a evidenciar problemas sérios em manter o modelo de crescimento baseado sobretudo na produção e exportação do activo. No PSI20, um dos activos mais correlacionados com o país de Eduardo dos Santos é a Mota-Engil. O adiamento de projectos de investimento que se traduzam em negócios para a construtora comprometem as contas do grupo. O sentimento pessimista relativo à evolução do preço do ouro-negro para as próximas semanas levam muitos investidores a largar posições na acção portuguesa, desde o início do ano. De resto, o título português é um dos que mais perde em toda a Europa, reflectindo a aversão ao risco das cotadas directa ou indirectamente relacionadas com o preço do petróleo".

Steven Santos, gestor do Banco BiG, dá a mesma explicação, referindo também uma "combinação de fatores": a questão dos baixos preços do petróleo e uma tendência generalizada dos detentores de títulos da Mota-Engil para venderem antes de acumularem perdas.

Mas um analista que segue a empresa explica que não vê razões objetivas para este comportamento "e, das duas uma: ou alguém antecipa uma novidade escabrosa que derruba o valor da empresa ou, como a Mota-Engil é um dos elos mais fracos do mercado e entrou numa espiral negativa desde o início do ano, sofre um castigo amplificado pelo mercado. A sua maior fonte de valor é Africa e a fragilidade dos negócios no continente afeta o valo da empresa. Mas, em contrapartida, vendeu bem a logística e portos, terá um encaixe relevante em breve na Ascendi e não parece ter apertos financeiros".