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Segunda semana negra. Bolsas mundiais quebram quase 3%. Juros portugueses são os que mais sobem

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Maiores quedas bolsistas em Xangai, Shenzhen e Moscovo. PSI 20, de Lisboa, perdeu 5,7%. Preço do Brent fecha abaixo de 30 dólares e cai a pique 13%. Juros das obrigações portuguesas a 10 anos fecham em 2,74% e Tesouro paga quase 3% em operação sindicada

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais perderam esta semana 2,74%, segundo o índice MSCI para todos os países. Sexta-feira foi o pior dia da semana, com uma quebra de mais de 1,8%. O analista Marc Chandler, de Wall Street, já a batizou de “sexta-feira sangrenta”, com as bolsas de Nova Iorque a perderem mais de 2% e o preço do barril de petróleo de Brent a afundar-se quase 6%.

Foi mais uma semana negra nas bolsas mundiais. Não foi tão trágica quanto a anterior, quando as bolsas mundiais caíram 6,2%, mas sinaliza uma persistência do começo do novo ano no vermelho. Os fatores China e preço do petróleo continuam a ser os “guias” destas duas primeiras semanas do novo ano.

A volatilidade do índice Nikkei 225 em Tóquio subiu 13% na terça-feira. Na Zona euro, a volatilidade ligada ao índice Eurostoxx 50 aumentou quase 16% na sexta-feira. Nesse mesmo dia, a volatilidade subiu 14,5% na China e quase 13% em Wall Street. O pânico financeiro voltou a dar sinais.

A “região” mais afetada foi a Ásia Pacífico, com uma quebra semanal de 3,16% do índice MSCI respetivo. Os índices MSCI para a Europa e EUA recuaram, durante a semana, 2,84% e 2,31% respetivamente. O grupo mais penalizado foi o das economias de fronteira (mercados que ainda não chegaram ao estatuto de emergentes), cujo índice MSCI caiu 4,85%, logo seguido do grupo das economias emergentes, cujas bolsas perderam 4,17%.

Lisboa no “clube” de maiores quedas

Houve três pesos pesados da economia mundial que se destacaram nas perdas semanais, segundo os índices MSCI. A bolsa de Moscovo que registou derrocadas na segunda e na sexta-feira e perdeu 11,24%, durante a semana. As duas bolsas chinesas caíram 6% e a Bolsa de São Paulo perdeu quase 5%.

Em termos de principais índices, as maiores quebras, superiores a 5%, abrangeram um “clube” formado pelos índices RTSI e MICEX de Moscovo, o índice CSI 300 de referência das duas bolsas chinesas, o Tadawull de Riade (Arábia Saudita) e o iBovespa de São Paulo. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, perdeu 5,7%, encontrando-se no grupo que sofreu maiores quedas durante a semana.

O preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, desceu 12,8% durante a semana e fechou em 29,24 dólares, um mínimo que já não se registava desde 2004. Na sexta-feira, o preço chegou a descer para 28,85 dólares, um mínimo desde dezembro de 2003.

Juros das OT registam maior subida semanal na zona euro

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos subiram, no mercado secundário, de 2,63% a 8 de janeiro para 2,74% no fecho de 15 de janeiro. Foi a maior subida entre os periféricos naquele prazo, destacando-se com um aumento de 11 pontos base face a apenas três pontos base para as yields das obrigações espanholas e italianas e um recuo de um ponto base para as yields das obrigações irlandesas e 11 pontos base para as obrigações gregas.

O prémio de risco da dívida portuguesa subiu para 226 pontos base, um aumento de 14 pontos base. Este prémio significa um diferencial de 2,26 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. As yields das obrigações alemãs a 10 anos, conhecidas pela designação de Bunds, desceram quatro pontos base durante a semana.

A trajetória das yields das OT a 10 anos, no último mês e meio, inverteu-se a 3 de dezembro do ano passado sofrendo o impacto global na zona euro do “desapontamento” com as medidas anunciadas pelo Banco Central Europeu (BCE), que foram consideradas insuficientes pelos investidores. O relato dessa última reunião do BCE em 2015, divulgado esta semana, revela que alguns membros do conselho do banco central pretendiam ir mais longe no corte da taxa de remuneração de depósitos em terreno negativo (penalizando ainda mais o parqueamento de depósitos dos bancos comerciais da zona euro nos cofres dos bancos centrais do euro), o que estava mais próximo das expetativas dos mercados financeiros.

Depois de terem descido para 2,27% a 2 de dezembro, as yields das OT, no prazo de referência, aumentaram progressivamente para níveis acima de 2,5%. Esta última semana, com o aumento da contestação internacional às decisões recentes do Banco de Portugal, a trajetória ascendente acentuou-se e destacou Portugal pela negativa no conjunto dos periféricos. A agência de notação Moody’s acabou, na sexta-feira, por não mexer na classificação da dívida portuguesa de longo prazo que é considerada especulativa (vulgo “lixo financeiro”). Não a melhorou, mas também não a agravou.

O Banco Central Europeu reunirá o seu conselho na próxima quinta-feira no meio de perda de credibilidade em relação à meta de inflação, críticas crescentes ao novo regime de bail in bancário e uma dramatização feita pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmando que "sem o acordo de Schengen não há justificação para o euro".

Dois dias antes, o Eurostat divulgará a estimativa de inflação para dezembro na zona euro (a preliminar apontava para 0,2%) e a China publicará a taxa de crescimento anual do PIB no quatro trimestre (a expetativa é que desça para 6,8%). No mesmo dia, o Fundo Monetário Internacional publicará a sua primeira atualização do ano sobre previsões macroeconómicas.

IGCP paga quase 3%

O Tesouro português regressou esta semana aos mercados financeiros para colocar 4 mil milhões de euros em dívida a 10 anos através de uma operação sindicada, lançando uma nova linha obrigacionista de referência naquele longo prazo. A procura foi três vezes superior ao emitido, mas o Estado acabou por pagar uma taxa de 2,973% aos investidores, mais de 26 pontos base acima dos juros verificados no mercado secundário na mesma altura.

A última vez que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou obrigações a 10 anos foi em novembro do ano passado, tendo, então, em leilão, emitido 995 milhões de euros, pagando uma taxa de remuneração média de 2,42%. A última operação sindicada de dívida a 10 anos realizou-se há um ano, em janeiro de 2015, e, na altura, a taxa paga foi de 2,92%, inferior à desta semana.