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Costa entrega dossiê da TAP a ex-secretário de Estado

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David Neeleman e Humberto Pedrosa aproveitaram a apresentação da nova estratégia da TAP para confraternizar com os trabalhadores

José Caria

Diogo Lacerda Machado, além de amigo pessoal do primeiro-ministro, foi seu secretário de Estado quando António Costa foi ministro da Justiça

Se dúvidas havia de que António Costa considera vital o regresso do Estado como maior acionista da TAP, elas ficam ainda mais dissipadas com a escolha de Diogo Lacerda Machado para o ajudar neste dossiê. Além de amigo pessoal de longa data do primeiro-ministro, Diogo Machado foi secretário de Estado da Justiça quando António Costa liderou essa pasta. Em termos jurídicos, o assunto estava a ser acompanhada pela sociedade de advogados Vieira de Almeida (VdA) contratados pela Parpública, mas o Expresso apurou que o primeiro-ministro achou necessário ter alguém em representação só do Governo a estudar o dossiê. A VdA continuará a prestar serviços à Parpública mas com um novo protagonista com ligação direta a António Costa e Pedro Marques, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas.
O Expresso confirmou que Diogo Machado foi contratado como consultor no processo. Contactado, o mesmo recusou-se a fazer qualquer comentário.

Coincidência ou não, a verdade é que David Neeleman, num passe de mágica, colocou travão a fundo no discurso da irreversibilidade do negócio e até já admite que o Estado fique maioritário na companhia.

Horas depois da terceira reunião entre o Governo e o consórcio que comprou 61% do capital da TAP, os novos donos da companhia anunciaram o novo plano de gestão que têm para a empresa. Logo a seguir, o acionista David Neeleman veio dizer que, afinal, “a gestão é o mais importante na TAP”, desvalorizando o tema da titularidade da maioria do capital que o Estado quer retomar.

Só que na manhã do mesmo dia, em declarações à “Visão”, Neeleman admitira que “jamais teria entrado num concurso para comprar 49% de uma empresa com todos os problemas que a TAP tem”. “O mais fácil era dizer ‘devolvam-me o dinheiro e eu vou-me embora’.”

Mas depois do terceiro encontro com o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, o entendimento parece mais próximo. Apesar de o perímetro das conversas entre as partes ainda ser muito geral e a “negociação a sério” não ter começado, ouviu o Expresso junto de fontes próximas do processo, o consórcio parece ter moderado o discurso.

À saída da reunião, Humberto Pedrosa, que controla a companhia aérea em conjunto com Neeleman, disse que ainda “não há propostas concretas” e que tudo “está em cima da mesa”, mas que “há negociações e vai haver muito mais”.

A nova estratégia

A estratégia anunciada pressupõe voos de hora a hora entre Lisboa e Porto, com preços que vão competir com os do comboio (desde €39 por trajeto), a partir de março. Serão operados pela nova TAP Express, que substituirá a Portugália. Trata-se de 16 voos diários, ida e volta, entre Lisboa e Porto, num total de 114 voos por semana.

Para tal, a TAP Express terá a frota renovada até julho, com 17 aviões, adquiridos em leasing, num investimento total de cerca de €400 milhões. A companhia tem atualmente 16 aviões — seis Fokker 100, oito Embraer 145 Private e dois Beechcraft 1900D — que serão substituídos por 17 aeronaves (oito ATR72 e nove Embraer 190).

A TAP vai também reforçar o número de frequências semanais para os destinos operados, num total de 124. “Preferimos aumentar o número de frequências. Precisamos cada vez mais de consolidar a nossa posição nos destinos fortes”, defendeu o presidente-executivo, Fernando Pinto, na quinta-feira.

Os investimentos em curso também incluem a encomenda de 53 novos aviões, €60 milhões da modernização da atual frota, €11 milhões na introdução de dispositivos sharklets em 12 aviões da família A320, €2 milhões numa plataforma digital de reservas.