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Mosquito torna-se o único dono da Soares da Costa

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Empresário angolano regoceia a compra da participação de 33% de Manuel Fino. Um comunicado enviado à Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) dá conta que decorrem negociações entre os dois acionistas para a realização do negócio.

A GAM Holdings, ligada ao empresário angolano António Mosquito, vai passar a controlar a totalidade do capital da construtora Soares da Costa, comprando a participação de 33% detida pela SDC Investimentos, do universo da família Fino.

Num comunicado enviado esta quinta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) após o fecho do mercado, a SDC Investimentos informa que “acordou com a GAM Holdings e com a Soares da Costa Construção, SGPS, aprofundar conversações com vista à alienação da participação de 33,3%”.

O comunicado acrescenta que se verificará uma “separação de responsabilidades conjuntas ou cruzadas que subsistem em algumas obrigações perante terceiros”. A SDC diz que “oportunamente será dado conhecimento do desfecho dessas
conversações que, para culminarem em acordo, exigem o consentimento de terceiros”.

Joaquim Fitas, presidente da Comissão Executiva da construtora, diz ao Expresso que o comunicado “é um sinal claro de que o acionista maioritário está firmemente empenhado na expansão da Soares da Costa, dissipando todas as dúvidas que pudessem existir”.

Opções de venda

No âmbito do acordo acionista de 2013, a família Fino poderia exercer uma opção de venda a partir do quinto ano de vigência do contrato (2019), forçando a GAM a pagar 38,5 milhões de euros pelos 33% da SDC Investimentos.

Uma outra cláusula refere que se a construtora, em dois exercícios consecutivos, não distribuísse dividendos, a SDC Investimentos poderia forçar a compra da participação recebendo 42 milhões de euros.

Depois das perdas colossais de 2014 (€53,4 milhões), a Soares da Costa terá fechado 2015 novamente com prejuízos, o que permitiria à holding controlada (59%) pela família Fino acionar essa opção após a aprovação das contas.

Reorganização em marcha

Esta operação representa, assim, uma antecipação de opções que constam do contrato inicial e surge num momento em que a a Soares da Costa, com sede no Porto e centro de decisão em Luanda, atravessa uma fase de profunda reorganização. Há um mês anunciou o despedimento de 500 trabalhadores, uma parte dos quais já se encontravam há meses desocupados por falta de obras.

A GAM, uma sociedade fundada no Luxemburgo em setembro de 2013, com um capital de 31 mil euros, tornara-se acionista maioritário (67%) através da injeção de 70 milhões que evitou o colapso da construtora. António Mosquito ficou presidente do Conselho de Administração (CA), mas renunciou ao cargo em novembro passado. Também António Gomes da Mota, vice-presidente não executivo em representação da família Fino, já apresentara a demissão. A recomposição do CA será feita este mês.

Esta acordo poderá ser o primeiro capítulo de uma operação mais vasta em que, num segundo momento, António Mosquito partilhará o controlo da construtora com outros investidores angolanos. No mercado financeiro sempre se comentou que Mosquito não estaria sozinho nesta operação da GAM sobre a Soares da Costa.