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Atas do BCE revelam que depósitos poderão ser mais penalizados no futuro

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Alguns membros do conselho do Banco Central Europeu defenderam um corte mais agressivo na taxa de remuneração dos depósitos parqueados nos seus cofres. A maioria optou por fixá-la em 0,3% negativos, como medida transitória deixando espaço de manobra para um corte maior no futuro, segundo o relato da última reunião de dezembro publicado esta quinta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

Alguns dos 25 membros do conselho do Banco Central Europeu, reunido a 2 e 3 de dezembro do ano passado, eram a favor de um corte mais radical na taxa de remuneração dos depósitos dos bancos da zona euro parqueados nos cofres do sistema de bancos centrais, segundo o relato publicado esta quinta-feira.

A decisão maioritária acabou por cortar apenas em 10 pontos base aquela taxa de remuneração, fixando-a em -0,3%, mas alguns membros defendiam um corte de 20 pontos base. A decisão por um corte menor prentendeu deixar espaço de manobra para ajustamentos futuros.

Alguns dos participantes na reunião de dezembro eram, também, a favor de um prolongamento maior do programa de compra de ativos. Este acabou por ser estendido por mais seis meses, até março de 2017, por proposta do economista-chefe Peter Praet.

O documento refere, ainda, uma outra oposição, neste caso, contrária às decisões tomadas, preferido que não se mexesse na política monetária. "Alguns membros não encontraram evidência suficiente que apoiasse uma recalibração da política monetária", refere o relato. A essa posição, a maioria concluiu que "o risco de inação nas políticas ultrapassa claramente o risco de agir".

Este relato é publicado a poucos dias da primeira reunião do BCE em 2016, que se realizará a 21 de janeiro, na próxima semana. Dois dias antes será divulgada pelo Eurostat uma nova estimativa para a inflação de dezembro passado. A estimativa preliminar apontava para 0,2%, uma variação similar à do mês anterior, revelando que a inflação não descola, apesar da injeção de mais de 659 mil milhões de euros até 8 de janeiro por parte dos programas de compra de ativos do BCE.

Incerteza continuada e falta de confiança

O relato sublinha que os membros consideram que a retoma na zona euro é moderada e frágil e que os riscos negativos derivados de factores externos continuam a pesar derivados do contexto económico e de riscos geopolíticos. "Houve amplo acordo em que a perspetiva para a envolvente externa continua a ser incerta e sujeita a riscos negativos, largamento relacionados com as vulnerabilidades nos mercados emergentes", refere o documento.

O relato refere duas expressões fatais na frente interna - "incerteza continuada" e "falta de confiança". Estas apreciações seguem-se à constatação de que o "investimento é fraco" e que "desapontou, de novo, recentemente". A conclusão é clara: "Isto aponta para uma incerteza continuada e uma falta de confiança, que poderão ser exacerbadas pelas ramificações de riscos mais amplos (geo)políticos tanto dentro como fora da zona euro".

  • O comité de política monetária em Londres decidiu manter a taxa de juro num mínimo histórico e o teto do programa de compra de ativos. Apenas um membro defendeu o início do processo de subida dos juros à semelhança do que a Reserva Federal norte-americana fez em dezembro passado