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Represálias depois do Novo Banco: mercado fecha a porta aos bancos portugueses

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Grandes investidores estão de pé atrás em relação a Portugal. Atualmente e no futuro mais próximo, dificilmente voltam a financiar bancos portugueses. Emissões de obrigações que estariam a ser preparadas tiveram de ser adiadas

“A decisão sobre o Novo Banco abriu uma caixa de Pandora.” A frase é de um analista do mercado de dívida. “Os investidores estão muito renitentes a fazer novos investimentos porque não sabem o que pode voltar a acontecer.”

No mercado, é visível a reação negativa à decisão do Banco de Portugal de transferir para o BES mau cinco emissões de obrigações do Novo Banco. “No futuro próximo, os bancos portugueses não vão conseguir emitir divida ou fazer aumentos de capital no mercado. Não há quem empreste”, disse ao Expresso um responsável de uma grande casa de investimento.

O Expresso sabe que estavam a ser alinhavadas emissões de obrigações por parte de bancos portugueses e que entretanto foram canceladas devido às condições adversas criadas pela decisão que afetou obrigacionistas seniores do Novo Banco.

“Ninguém vai comprar obrigações a bancos portugueses”, diz Philippe Bodereau, diretor-geral da Pimco em Londres. “Falou-se nisso [emissões de obrigações por bancos portugueses] no final do ano passado, mas agora já não estão na mesa. E vão continuar assim no futuro próximo”, diz o responsável da Pimco. Bodereau frisa que os bancos portugueses vão continuar salvaguardados, obtendo financiamento por parte do BCE.

Questionado sobre se a Pimco vai voltar a investir em dívida portuguesa, soberana ou empresarial, foi perentório: “Não”. “Os investidores vão levantar muitas questões sobre investir em Portugal em geral e nos bancos portugueses em particular”, frisa Bodereau.

Já na semana passada, a Reuters, através da IFR (International Financing Review), escrevia que os pequenos bancos da periferia da Europa iam enfrentar uma “greve” por parte dos compradores se tentarem emitir dívida fruto da decisão “chocante” do Banco de Portugal. Isto porque os investidores iriam exigir um prémio muito elevado, já que, na altura, o preço das obrigações de bancos com maior risco colapsou no mercado secundário como consequência da decisão.

Analistas e gestores de fundos estão preocupados com a descrença que se instalou em relação ao sistema financeiro português. Até porque as recentes decisões – Banif e Novo Banco – surgem numa altura em que os restantes bancos continuam a enfrentar problemas de rentabilidade.

“Uma emissão do BCP com maturidade em fevereiro de 2017 corrigiu 3% nos últimos dias - passou de 100% para 97%”, aponta um analista.

Até ao momento, não foi possível obter comentário por parte dos maiores bancos do sistema.