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Novo Banco. Governo em desacordo com decisão do BdP de pôr dívida no ‘banco mau’

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FOTO JOSÉ CARLOS CARVALHO

Bloomberg diz que o secretário de Estado do Tesouro afirmou num encontro com investidores, esta segunda-feira, que o Ministério das Finanças expressou preocupações quanto à decisão de passar as obrigações seniores, que na resolução do BES ficaram no Novo Banco, para o ‘banco mau'

O Governo português terá estado contra a decisão do Banco de Portugal de impor perdas aos detentores de dívida sénior do Novo Banco, numa operação que permitiu recapitalizar a instituição, noticia a agência financeira Bloomberg, citando duas fontes.

De acordo com a notícia, o secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, afirmou num encontro com investidores, esta segunda-feira, que o Ministério das Finanças expressou preocupações quanto à decisão de passar as obrigações seniores, que na resolução do BES ficaram no Novo Banco, para o 'banco mau', de acordo com duas pessoas que estiveram presentes na reunião e que preferiram não ser identificadas.

Os fundos gestores de ativos Pacific Investment Management (Pimco) e BlackRock, os maiores detentores de dívida, estavam entre investidores presentes no evento que decorreu em Londres.

A 29 de dezembro, o Banco de Portugal (BdP) passou para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas ou seniores por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais (como fundos de investimento, fundos pensões ou seguradoras).

Com esta medida - que reverteu a que tinha sido tomada após a resolução do BES, quando o Banco de Portugal decidiu não imputar perdas aos credores seniores passando a dívida não subordinada do BES para o 'banco bom' -, o Novo Banco foi recapitalizado em 1985 milhões de euros, permitindo-lhe assim cumprir as exigências regulamentares.

Os obrigacionistas foram apanhados de surpresa por esta medida, que tem sido muito contestada.

A gestora de ativos norte-americana Pimco foi uma das que se manifestou, com o diretor-geral em Londres a dizer ao Expresso que ficou chocado com a decisão do BdP, acrescentado que não viu isto "nem na Grécia", e sustentando que naquele país houve negociação com os corredores quando foi necessário converter dívida em ações para recapitalizar os bancos.

A Pimco, segundo a Bloomberg, poderá ter de assumir perdas de 228,6 milhões de euros. Já a Blackrock, a maior gestora de ativos do mundo, poderá ter perdas potenciais de 254,1 milhões de euros.

Ainda segundo disse o secretário de Estado aos investidores, o Governo não interferiu na decisão do BdP devido à independência dessa instituição.