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Bolsas. China regressa ao vermelho, mas Ásia recupera

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As bolsas de Xangai e Shenzhen fecharam esta quarta-feira com quedas superiores a 2%. Mas Tóquio puxou pela Ásia com ganhos de quase 2,9%. Preço do Brent está a subir 1% depois de ter fixado na terça-feira um mínimo de quase 12 anos abaixo de 31 dólares

Jorge Nascimento Rodrigues

As principais bolsas da Ásia Pacífico fecharam “mistas” nesta quarta-feira. A bolsa de Tóquio puxou pela região com os dois índices a subirem mais de 2,8%, mas, na China, as duas bolsas registaram, de novo, perdas. Não foi uma nova derrocada em Xangai e Shenzhen, como ocorreu na segunda-feira, mas os principais índices compostos das duas bolsas perderam mais de 2%. O índice de referência, o CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas), subiu 1,9%.

Tóquio deu um empurrão no desempenho das principais praças financeiras da região nesta quarta-feira. O índice Nikkei 225 ganhou 2,88% e o índice TOPIX subiu 2,86%. Em Sidney, o índice ASX 200 avançou 1,26%; em Seul, o índice KOSPI subiu 1,34%; e em Taipé, o índice geral de Taiwan ganhou 0,72%. À hora de fecho das bolsas chinesas, o índice Hang Seng, de Hong Kong, negociava em alta, com uma subida de mais de 1%.

O facto marcante do dia na região é o regresso da China ao vermelho. Não se registou uma derrocada, como a de segunda-feira, em que o índice composto de Xangai perdeu 5,33% e o índice similar de Shenzhen recuou 6,6%. Esta quarta-feira, o composto de Xangai caiu 2,42% e o composto de Shenzhen perdeu 3,46%. O índice de referência CSI 300 recuou 1,9%. O índice das cinquenta principais cotadas com ações de tipo A desceu 1.05%.

China e Japão trocaram hoje de posição. Na terça-feira, as bolsas chinesas registaram ganhos, ainda que modestos, e Tóquio caiu mais de 2,5% empurrando Hong Kong, Manila, Sidney, Seul e Taiwan para o vermelho. O índice MSCI para a Ásia Pacífico perdeu na terça-feira 1,72%, enquanto Europa e Estados Unidos fecharam em terreno positivo, o que permitiu ao índice mundial MSCI registar um ganho ligeiro de 0,24%.

À hora de fecho das bolsas chinesas, na Europa, já estava a negociar Moscovo, com os dois principais índices a registarem ganhos. Os futuros em Frankfurt e Wall Street estão em terreno positivo.

Depois de uma terça-feira marcada por uma elevada volatilidade do preço do barril de petróleo de Brent, a trajetória na sessão asiática apontou para uma subida de cerca de 1%, com a cotação em 31,10 dólares. Na terça-feira, o preço do Brent variou entre 30,55 dólares, um novo mínimo desde o início de fevereiro de 2004, e 32,67, tendo fechado em 30,81, um novo mínimo de fecho desde há quase 12 anos.

Excedente da balança comercial chinesa surpreende

Os investidores asiáticos ficaram agradavelmente surpreendidos com o excedente da balança comercial chinesa em dezembro, que acabou por registar 60,09 mil milhões de dólares, um valor acima das expetativas dos analistas que apontavam para 53 mil milhões (abaixo do saldo de 54,1 mil milhões de novembro). Na moeda chinesa, o excedente subiu de 382,05 mil milhões de yuan em novembro para 343,10 mil milhões em dezembro.

A surpresa deveu-se ao facto de que se registou uma desaceleração da contração das exportações e das importações em dezembro, medidas em dólares, quando os analistas esperavam um aumento da dinâmica de queda. Em dólares, as exportações acabaram por cair apenas 1,4% face a uma expetativa pessimista de uma quebra de 8%. Em novembro haviam contraído 6,8%. No caso das importações, em dólares, o padrão foi similar. As importações recuaram 7,6%, quando se estimava um afundamento de 11,5%, face a uma contração de 8,7% em novembro.

Há que sublinhar que as exportações estavam em dezembro em contração pelo sexto mês consecutivo e que as importações desciam pelo 13º mês. Apesar da moeda chinesa se ter depreciado mais de 6% face a dólar nos últimos doze meses e 4,8% em relação a um cabaz de moedas dos parceiros comerciais desde agosto do ano passado, a dinâmica externa continua negativa, apesar de ter desacelerado no final do ano.

A melhoria em dezembro é ainda mais expressiva se for avaliada na moeda chinesa, em yuan. As exportações subiram 2,3% face a uma expetativa de uma queda de 4,1%, maior do que a quebra registada no mês anterior, de 3,7%. A trajetória do valor das exportações na moeda chinesa foi alterada - as exportações regressaram a uma dinâmica de crescimento em dezembro. As importações recuaram 4% face a uma expetativa de uma contração de 7,9%, maior do que a quebra de 5,6% registada em novembro.

A desaceleração das exportações tem refletido a reorientação da economia chinesa em direção a um maior peso do consumo interno e a queda nas importações deriva do abrandamento global da atividade para níveis de crescimento médio anual de 6,5% no quinquénio até 2020. Só, na próxima semana, será divulgada a taxa de crescimento no 4º trimestre de 2015. Nos três trimestres anteriores, o crescimento em cadeia foi de 1,3%, 1,8% e 1,8%.

Clube de maiores quedas bolsistas

A dúvida sobre a capacidade da China manter a meta oficial de um crescimento anual médio de 6,5% ao longo do quinquénio até 2020 foi lançada no fim de semana pelo presidente do Centro de Investigação e Desenvolvimento do Conselho de Estado: "6,5% é elevado [face ao passado], mas será muito difícil alcançar este ritmo de crescimento". Li Wei, que falava num forum, foi citado pelo "China Securities Journal".

A desaceleração das importações afeta seriamente os principais exportadores de matérias-primas e várias categorias de bens para a China.

Nestas primeiras sessões do novo ano, para além da derrocada nas bolsas chinesas de quase 12%, o "clube" mundial das principais quedas de capitalização engloba a Arábia Saudita (o índice Tadawull já caiu 12,2% desde o início do ano), três dos outros BRICS (África do Sul, Brasil e Rússia), os principais parceiros comerciais da região asiática (Austrália, Taiwan, Hong Kong, e Japão) e a Alemanha, na Europa.