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Nova derrocada bolsista na China. Ásia no vermelho

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As bolsas de Xangai e Shenzhen, depois de uma recuperação na sexta-feira passada, regressam à dinâmica de crash. Austrália, Coreia do Sul, Filipinas, Hong Kong e Taiwan são os países mais afetados pelo contágio. Preço do Brent em queda

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas chinesas voltaram esta segunda-feira a registar derrocadas, depois de, no final da semana passada, terem registado ganhos. O índice composto de Xangai fechou hoje a cair 5,33% e o índice similar para Shenzhen perdeu 6,6%. O índice de referência CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas) recuou 5,03% e o A50 (das cinquenta principais cotadas com ações de tipo A) perdeu 4,05%.

Nas duas bolsas chinesas, desde o início do ano, esta é a terceira derrocada, depois dos episódios de 4 e 7 de janeiro. O crash de 7 de janeiro levou inclusive o regulador dos mercados a suspender, a partir de sexta-feira passada, a aplicação de um mecanismo automático de encerramento das bolsas quando o índice CSI 300 ultrapassava o limiar vermelho de uma queda de 7%. Na bolsa de Xangai a perda, desde início do ano, aproxima-se de 15% e na de Shenzhen de 20%.

Esta segunda-feira terminou nas bolsas chinesas a interdição dos grandes investidores e dos executivos das empresas cotadas venderem as suas ações. A medida esteve em vigor durante seis meses depois da primeira derrocada bolsista de julho de 2015. No entanto, a partir de agora, os grandes acionistas não podem vender mais de 1% do total das ações de uma empresa por trimestre e têm de comunicar os seus planos de venda com duas semanas de avanço.

O contágio chinês alastrou a toda a Ásia nesta primeira sessão da semana. Excetuou-se a bolsa de Tóquio, a terceira mais importante do mundo em capitalização, porque esteve fechada por ser feriado no Japão. A segunda maior quebra bolsista está a registar-se em Manila, nas Filipinas, com o índice local a aproximar-se de uma queda de 4%. Segue-se o índice Hang Seng, em Hong Kong, a cair mais de 2,5%. O ASX 200, de Sidney, perdeu 1,17%; o KOSPI, de Seul, recuou 1,19%; e o índice geral de Taiwan desceu 1,34%. As bolsas da Indonésia, Malásia e Tailândia estão, também, a negociar no vermelho.

No conjunto da região da Ásia Pacífico, o índice MSCI perdeu quase 1%.

China: abrandamento, mas não cataclismo

O Nobel de Economia Joseph Stiglitz tentou hoje colocar água na fervura. Numa entrevista à Bloomberg em Xangai disse que "o que está a acontecer na China é um abrandamento em todos os níveis", mas "é um processo lento de abrandamento, não é um cataclismo".

O preço do barril de petróleo caiu durante a sessão asiática 1,6% no caso do Brent, a variedade europeia de referência internacional, e 2,5% no caso do WTI, a referência norte-americana. O preço do Brent cotava 33 dólares pelas 7h15 e a trajetória continua a ser de descida. Recorde-se que, na semana passada, caiu para mínimos de quase 12 anos e chegou a cotar-se num mínimo de 32,16 dólares durante a sessão de 7 de janeiro. O índice Bloomberg para as matérias-primas desceu hoje 0,74% durante a sessão asiática.

Recorde-se que, na semana passada, em virtude das duas derrocadas chinesas e do contágio global, as bolsas mundiais perderam 6,16%, segundo a variação do índice mundial MSCI. A volatilidade bolsista disparou mais de 30% na China, na Europa e em Wall Street. O preço do Brent desceu 10,57% durante a semana.

No espaço euroasiático, as bolsas de Moscovo e de Instambul estão esta segunda-feira a negociar em terreno negativo. O índice RTSI, de Moscovo, está a cair mais de 4% e o outro índice, o MICEX, recuava mais de 2%. Depois dos feriados do novo ano, a bolsa moscovita regressou hoje à atividade.