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Contágio chinês: Ásia e Europa mais castigadas

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Esta segunda-feira ficou marcada pela terceira derrocada do ano nas bolsas de Xangai e Shenzhen e por nova queda a pique do preço do petróleo. O maior impacto fez-se sentir em Moscovo e Hong Kong

Jorge Nascimento Rodrigues

As maiores quedas bolsistas desta segunda-feira registaram-se nas duas bolsas chinesas, de Xangai e Shenzhen, e em Moscovo, Buenos Aires, Hong Kong, Jacarta e São Paulo.

A região mais afetada foi a da Ásia Pacífico e o grupo de economias que sofreu maior impacto foi o das economias emergentes, onde se incluem Argentina, Brasil, China, Indonésia e Rússia.

As bolsas mundiais perderam 0,44%, segundo o índice MSCI para todos os países. O índice MSCI para a região da Ásia Pacífico caiu 0,99% e o índice similar para a Europa recuou 0,8%. O índice MSCI para as economias emergentes desceu 2,26%. Nova Iorque escapou às quedas, por um triz,, com uma subida ligeira de 0,03%, segundo o índice MSCI para os Estados Unidos.

Na China ocorreu a terceira derrocada do ano, com o índice CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas), que serve de referência, a recuar 5,03%. O índice composto de Xangai perdeu 5,3% e o índice similar de Shenzhen desceu 6,6%. O estoirar da “bolha” bolsista chinesa continua a marcar a agenda desde o verão do ano passado.

Na Ásia, o contágio foi maior em Hong Kong, com o índice Hang Seng, a recuar 2,76%, e depois em Jacarta, com o índice IDX a perder 1,78%. A bolsa de Tóquio esteve fechada por ser feriado no Japão.

Caminhando para Ocidente, Moscovo foi a praça financeira com maior queda. O índice RTSI perdeu 5,12% e o MICEX caiu 3,78%.

Na União Europeia (UE), as quedas nas principais praças financeiras foram inferiores a 1%, revelando maior resistência ao contágio. O índice FTSE 100, da bolsa londrina, liderou essas descidas, perdendo 0,69%. Quase todas as principais bolsas da UE fecharam no vermelho, com exceção de Amesterdão. Entre as bolsas mais pequenas, Lisboa encerrou a sessão a perder 1,54%.

Em Nova Iorque, o fecho foi “misto”. Em Wall Street, o índice Dow Jones 30 fechou a ganhar 0,32% e o índice S&P 500 conseguiu ficar ligeiramente acima da linha de água, com um ganho de 0,03%. Mas no Nasdaq, a bolsa das tecnológicas, o índice geral perdeu 0,12%.

Na América Latina, Buenos Aires liderou as quedas, com o índice Merval a perder mais de 3%. No entanto, entre as principais praças americanas, São Paulo liderou as quedas, com o índice Bovespa a perder 1,63%. No registo oposto, o índice IPC da Cidade do México ganhou 1,04%.

A volatilidade bolsista desceu nesta segunda-feira. Os índices que medem essa volatilidade e que sinalizam o pânico financeiro designam-se por VIX. O VIX europeu recuou 0,6%, o VIX ligado a Wall Street desceu 11,1% e o VIX ligado aos mercados financeiros chineses recuou 4,9%.

Bolsas mundiais já perderam 6,6% em 2016

As derrocadas bolsistas na China - a segunda maior economia do mundo e com duas praças financeiras que se posicionam na quarta e quinta posições em termos de capitalização em dólares à escala internacional - e a queda a pique do preço do ouro negro já provocaram um rombo de 6,6% nas bolsas mundiais desde o início do novo ano.

A Europa regista a maior queda regional, com o índice MSCI respetivo a perder 7,2%. O índice MSCI para o grupo de economias emergentes recuou 8,91%. Apesar do epicentro deste sismo financeiro se situar no coração da Ásia, o índice MSCI para esta região caiu 6,93%.

Os EUA sofreram um impacto menor, com o índice MSCI a perder 6%. As duas bolsas de Nova Iorque, o NYSE (New York Stock Exchange) e o Nasdaq, são as maiores do mundo em capitalização bolsista. Estas duas bolsas têm uma capitalização superior a toda a região da Ásia Pacífico coberta pelo índice MSCI respetivo e só o NYSE soma uma capitalização superior a toda a região designada por EMEA (que abrange a Europa, Médio Oriente e África, incluindo o London Stock Exchange).

No ano passado, a crise bolsista chinesa dominou os meses de julho e agosto. Em agosto, quando a derrocada chinesa foi maior e o contágio internacional foi mais forte, as bolsas mundiais afiliadas na World Federation of Exchanges perderam 8,2%.