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Grupo chinês vai investir €100 milhões

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Wen Yingjie preside ao grupo Level Constellation que reúne mais cinco empresários chineses que querem investir fora do seu país

José Caria

Level Constellation apostou €20 milhões em reabilitação e avança agora para outros voos

Marisa Antunes

É um dos poucos terrenos de grandes dimensões bem no centro de Lisboa (forte concorrente ao da Feira Popular) e poderá em breve ser adquirido pelo grupo chinês Level Constellation. A empresa, que já investiu €20 milhões em Portugal, apresentou esta semana o seu mais recente projeto residencial, o Ouro Grand, mas tem intenção de investir entre 100 e 150 milhões num só empreendimento de grandes dimensões, construído de raiz e a edificar no centro de Lisboa.

A negociar ativos do Novo Banco já há algum tempo, a escolha dos investidores chineses poderá recair no terreno que em tempos pertenceu à Temple, de Vasco Pereira Coutinho, situado entre a Artilharia Um e a Avenida de Joaquim António de Aguiar, junto às Amoreiras.

O Expresso apurou junto de fontes do mercado que o lote com 55 mil metros quadrados, que pertence agora ao Novo Banco, tem outros interessados mas é a Level Constellation que melhor está a posicionar-se nesta corrida. Uma informação que os responsáveis da Level Constellation se escusaram a comentar. E até à hora do fecho desta edição, não obtivemos também resposta por parte do Novo Banco.

Ao Expresso, o presidente da Level Constellation, Wen Yingjie, confirmou, contudo, que a empresa tem a intenção de investir €100 milhões em mais um projeto em Lisboa, a construir de raiz.

Este será o primeiro empreendimento de raiz da empresa fundada em Xangai em 2014 por um grupo de seis grandes investidores chineses com o propósito de realizar investimentos imobiliários em Portugal. Até agora, a empresa tem apostado mais na área da reabilitação e na aquisição de apartamentos para revenda ao mercado chinês.

Na passada quarta-feira, a administração da Level Constellation (que em Portugal é presidida por Pedro Vicente) esteve em peso na apresentação do seu novo projeto de reabilitação, o segundo no espaço de um ano. O primeiro é o Park Avenue, na Rodrigo da Fonseca, com 27 apartamentos, 50% dos quais já vendidos essencialmente ao mercado chinês mas também a cidadãos de França, Brasil, Dubai e uma portuguesa.

O projeto Ouro Grand resultou de uma aquisição efetuada pela empresa em hasta pública à Câmara Municipal de Lisboa de um edifício de 5000 m2, anteriormente ocupado pelo Banco Totta & Açores, depois pelo Santander Totta e, mais recentemente, pelo Município de Lisboa.
Vistos gold afugentam

Localizado entre a Rua do Ouro, a Rua da Conceição e a Rua do Crucifixo, unindo a Baixa de Lisboa ao Chiado, o edifício, que deverá estar concluído em julho de 2017, vai acolher 55 apartamentos com tipologias entre T0 e T2 duplex, com valores a começar nos €198.800.

O produto não está só direcionado para o mercado chinês e outro mercado estrangeiro, mas também pretende atrair portugueses.

Wen Yingjie diz que “o objetivo não é fazer subir os preços”. Estamos aqui em Portugal para ficar, queremos crescer mais, de forma sustentada e por muito tempo”.

O investidor chinês aterrou em Portugal em abril de 2014 depois de a empresa ter ponderado investir antes nos EUA. “Fiquei meio ano a estudar o mercado e em setembro comprámos o nosso primeiro edifício (o Park Avenue)”. Pelo meio, foram fazendo aquisições de apartamentos para revenda nas zonas dos estádios de Alvalade, da Luz e na Avenida da Liberdade (só no edifício Liberdade 238, junto à loja da Cartier, promovido pela Stone, a empresa adquiriu todo o bloco destinado aos T1, com 13 apartamentos). No total, entre revendas e apartamentos próprios já venderam mais de três dezenas de unidades.

O clima de segurança que o país oferece foi a principal razão para escolherem Portugal, afiança Wen Yingjie. Depois, e por esta ordem de prioridade, “o facto de sentirem que os chineses são bem acolhidos em Portugal, o bom momento que o mercado imobiliário português vive, em grande crescimento, o programa golden visa e o próprio clima de que o país beneficia, ideal para quem deseja mais qualidade de vida”, foram fatores de peso para a decisão de investir cá.

A única pedra nesta engrenagem está a ser a morosidade da atribuição dos vistos gold (ver texto na página anterior). “Esse tipo de burocracia está a levar-nos a começar a procurar outras oportunidades em Espanha, em particular em Madrid e em Barcelona”, conta o presidente da empresa. Uma lentidão que está a aplicar-se não só aos clientes chineses mas também aos próprios investidores da empresa: Wen Yingjie aguarda a renovação do seu visto que irá expirar dentro de um mês e um outro sócio da Level Constellation, o empresário Zheng-Yonggang, considerado um dos homens mais ricos da China, dono da cadeia de moda Shanshan (uma espécie de império Zara à escala chinesa) e maior produtor asiático de baterias de lítio (entre outros negócios), ainda aguarda o seu visto gold apesar dos investimentos já realizados.