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Saúde: análises no privado chegam a ser oito vezes mais caras que no público

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Relatório da Entidade Reguladora da Saúde analisou dados fornecidos pelos hospitais, concluindo que nas análises mais frequentes o sector privado cobra sempre mais que o Estado

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) analisou o sector da prestação de análises clínicas e após uma comparação de preços concluiu que "os custos dos privados são globalmente mais altos do que os dos públicos".

Segundo o relatório agora publicado pela ERS, "as médias dos custos indicados pelos hospitais privados são sempre superiores às médias dos hospitais públicos ou aos preços das tabelas de patologia clínica a praticar pelo SNS [Serviço Nacional de Saúde]".

O documento divulgado pelo regulador da saúde mostra que num tipo particular de análise clínica a disparidade de custo entre público e privado é especialmente elevada: nessa análise (cuja finalidade não é detalhada no relatório da ERS) o preço médio do privado é de 22 euros, enquanto o preço convencionado no SNS e na ADSE é de 2,63 euros.

De 11 tipos de análises clínicas elencados pela ERS e que são, segundo a mesma entidade, os 11 procedimentos mais frequentes nos hospitais, há uma dezena de casos em que os preços no sector privado são pelo menos duas vezes mais altos que no SNS. Apenas num desses 11 procedimentos o preço no privado (5,18 euros) não chega a ser o dobro do custo no sector público (3,29 euros).

Apesar das discrepâncias encontradas, a ERS sugere cautela na análise, porque no processo de recolha de informação muitos hospitais não conseguiram prestar informação detalhada e outros nem sequer responderam ao inquérito do regulador. O estudo do regulador teve como amostra 27 hospitais públicos e três unidades dos maiores grupos privados de saúde.

"Quanto à análise dos custos de produção das análises clínicas, importa frisar que apenas se forem ultrapassados os problemas de obtenção de informação e definido um padrão a adotar pela contabilidade analítica dos hospitais para a estimação dos custos unitários dos procedimentos de análises clínicas, será possível realizar comparações seguras", lê-se no relatório da ERS.

O mesmo relatório conclui, por outro lado, que no mercado das análises clínicas a maior escala de determinados operadores não conduz necessariamente à redução dos seus custos e a condições mais competitivas de oferta dos serviços aos clientes ou utentes. "Sobre a eventual existência de economias de escala na prestação de serviços de análises clínicas, verificou-se não haver evidência nos dados analisados de uma maior escala de produção levar a uma redução dos custos médios", refere a ERS.