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Depois da segunda derrocada, bolsa de Xangai ganha quase 2 %

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Xangai e Shenzhen regressaram esta sexta-feira às subidas depois do regulador chinês ter suspendido ontem à noite o mecanismo automático de encerramento de bolsas. Mas a Ásia Pacífico fechou “mista”, com Sidney e Tóquio no vermelho. Preço do petróleo sobe mais de 2%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas chinesas voltaram a registar ganhos esta sexta-feira. No dia anterior tinham sofrido uma derrocada de mais de 7% e a sessão foi encerrada automaticamente menos de trinta minutos depois de ter iniciado. Em Xangai, o índice composto subiu hoje 1,97% e, em Shenzhen, o índice similar ganhou 1,05% O índice de referência para as duas bolsas, o CSI 300 (que abrange as trezentas principais cotadas), avançou 2,04% e o índice A50 (para as cinquenta principais cotadas com ações do tipo A) subiu 1,6%. Na abertura de Xangai, o índice esteve a perder 1,9% durante 20 minutos, mas depois inverteu a trajetória.

A animação chinesa foi acompanhada pelas bolsas de Seul e Taipé com os índices KOSPI e geral de Taiwan a ganharem 0,7% e 0,53%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng, registou uma subida de 0,7%.

No entanto, a Ásia Pacífico fecha em terreno “misto” nas principais praças financeiras. As bolsas de Tóquio e de Sidney encerraram no vermelho. O índice Nikkei 225 nipónico perdeu 0,39% e o índice ASX 200 australiano caiu também 0,39%.

Fruto da reanimação chinesa, os futuros em Frankfurt e em Wall Street estão positivos, com ganhos acima de 1%.

Os analistas falam de forte intervenção de fundos ligados ao Estado nas compras nas bolsas chinesas e no alívio com a liquidação do mecanismo automático de suspensão e encerramento da negociação que produziu resultados dramáticos sobretudo na segunda e quinta-feira. O jornal britânico “Financial Times” ironizou publicando um obituário com a lápide do defunto, o mecanismo chinês morto apenas quatro dias depois de ter nascido.

Na quinta-feira à noite (hora local), o regulador chinês dos mercados financeiros tomou duas decisões importantes. Primeiro, suspendeu o mecanismo automático que entrara em vigor no início do ano e que previa a paragem temporária das negociações em bolsa se o índice de referência – o CSI 300 - perdesse mais de 5% e o fecho da sessão se ultrapassasse a linha vermelha de 7%. Este mecanismo, depois das duas derrocadas na segunda e na quinta-feira, havia sido muito criticado por analistas chineses nas redes sociais. No entanto, para cada ação, há, agora, um limite de variação de 10% num sentido ou noutro. Em segundo lugar, o regulador decidiu que os grandes investidores não poderão vender por trimestre mais de 1% do valor das ações de uma cotada e terão de apresentar com quinze dias de antecedência os seus planos de venda. A anterior interdição deste tipo de investidores e dos executivos das empresas cotadas venderem as suas posições vigorou por seis meses desde a crise bolsista do verão passado e terminou hoje.

Os ganhos de hoje nas duas bolsas reduziram as perdas acumuladas da semana. Desde início do ano, o índice de Xangai perdeu quase 10% e o de Shenzhen caiu 14,3%. Sem as subidas de quarta e sexta-feira, o balanço da primeira semana de bolsa de 2016 na China teria sido catastrófico.

O preço do barril de petróleo esteve em alta na sessão asiática. O preço do Brent, a variedade europeia de referência internacional, subiu 2,6% para 34,60 dólares por barril, saindo de mínimos de quase 12 anos. O índice global de matérias-primas da Bloomberg ganhou 0,55% durante a sessão asiática.