Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Nova derrocada bolsista na China. Contágio a toda a Ásia

  • 333

A negociação nas bolsas chinesas foi suspensa pela segunda vez esta semana. Até ao encerramento antecipado desta quinta-feira, Xangai perdia 7% e Shenzhen mais de 8%. Tóquio caiu mais de 2% e Hong Kong mais de 3%. Preço do Brent desceu para mínimos de quase doze anos

Jorge Nascimento Rodrigues

Nova derrocada nas bolsas chinesas e novo contágio a toda a Ásia. A negociação nas bolsas de Xangai e Shenzhen foi automaticamente encerrada logo ao início da manhã desta quinta-feira quando o índice de referência ultrapassou a linha vermelha de quedas acima de 7%.

A sessão bolsista na China durou menos de 30 minutos. Foi a sessão diária mais curta da história de 25 anos das bolsas chinesas. O mecanismo automático de suspensão, logo que o índice CSI 300 cai 5% e de encerramento da sessão quando atinge uma queda de 7%, atuou pela segunda vez esta semana. A primeira vez na história das bolsas chinesas foi na segunda-feira com a queda de 7% do CSI 300 e a derrocada de 6,86% em Xangai e de 8,22% em Shenzhen.

Até ao encerramento antecipado, o índice composto de Xangai perdia 7,32% e o índice similar para Shenzhen recuava 8,35%. O índice CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas) caiu 7,21% e o A50 (das cinquenta principais cotadas com ações de tipo A) recuou 5,68%. São quedas superiores às verificadas na segunda-feira, quando se registou o primeiro crash do novo ano.

A moeda chinesa aprofundou esta quinta-feira a sua depreciação. O yuan desvalorizou 1,2% face ao dólar. Desde início do ano, a queda do yuan soma 1,7%. O dólar valia 6,49 yuan a 31 de dezembro do ano passado e valorizou para 6,6 yuan no fecho da sessão asiática de hoje.

A derrocada chinesa provocou um contágio em toda a Ásia. O índice Hang Seng, de Hong Kong, fechou a liderar as quedas com um recuo de mais de 3%. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 perdeu 2,33% e em Sidney o índice ASX 200 desceu 2,2%. Os índices de Taipé e de Seul perderam mais de 1%. Os índices das bolsas dos mercados de fronteira da Ásia Pacífico estavam também em terreno negativo.

O preço do barril de petróleo continuou a cair na sessão asiática desta quinta-feira. Desceu para o patamar de 32 dólares, o que já não se registava desde junho de 2004. Estes novos mínimos de quase 12 anos revelam o aprofundamento da trajetória de queda a pique do preço do ouro negro.

No encerramento da sessão asiática, o preço do Brent, a variedade europeia de referência internacional, fechou em 32,78 dólares, representando uma queda de 4,5%. A 29 de junho de 2004, o Brent fechou em 32,61 dólares. No final de março e princípio de abril daquele ano, o barril em Londres registou preços no patamar de 31 e 32 dólares.

Com as duas derrocadas bolsistas chinesas, as principais praças da Ásia Pacífico estão a ser as mais afetadas. Desde o início do ano, Xangai perdeu mais de 12% - uma queda que se aproxima da registada entre 18 e 21 de agosto do ano passado. As três principais bolsas mais afetadas no mundo pelo contágio foram Hong Kong com uma queda de 7%, Tóquio com uma descida de 6,7% e Taiwan com um recuo de 5,8%. O índice australiano já caiu 5,4%.

  • Wall Street e Nasdaq fecharam com perdas esta quarta-feira face a uma quebra de 5,5% nos preços do petróleo. Divulgação das atas da reunião da Fed revela que a unanimidade foi "por um triz" face à incerteza sobre a inflação e as exportações norte-americanas