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Carlos Costa: até 2010 “havia uma espécie de concurso de beleza entre os bancos”

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Mário Cruz/ Lusa

Numa conferência realizada esta quarta-feira, no ISEG, o governador do Banco de Portugal foi muito crítico da situação vivida na banca em Portugal até 2010. E defendeu a abordagem que foi seguida para o setor no resgate ao país

“Uma espécie de concurso de beleza trimestral entre os bancos para ver quem apresentava melhores resultados e distribuía mais dividendos”. Um comportamento “em prejuízo do reforço de capitais”. Foi assim que Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, descreveu a situação que se vivia no setor em Portugal até 2010.

Falando durante uma intervenção na conferência “Renovar o modelo competitivo em Portugal”, realizada esta quarta-feira no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o governador mostrou-se muito critico sobre a situação vivida no setor bancário em Portugal até essa altura, apontando ainda que o "nível de provisões constituídas pelos bancos eram claramente insuficientes para os riscos presentes nos balanços".

Tudo somado, “os bancos estavam altamente expostos a um cenário adverso, como veio a acontecer”.

Com o resgate a Portugal, em 2011, na discussão do memorando de entendimento, o Banco de Portugal defendeu uma abordagem para a banca, que acabou por se seguida, e que assentou no reconhecimento gradual das necessidades de capital dos bancos em função das imparidades registadas.

Uma posição que contrariou a defendida pela Troika, que apostava no frontloading da capitalização. Contudo, Carlos Costa salientou que isso implicaria necessidades de capital "dificilmente compaginaveis com o financiamento disponível no programa português". E acrescentou que “quando se fala hoje em frontloading não estamos a ver o que isso significava para Portugal em 2011”. Um exercício realizado na altura pelo BdP apontava para um impacto no PIB de 28% a 33%.

Reconheceu que a adoção da estratégia defendida pelo BdP "não foi uma solução fácil", porque o BdP teve de passar os anos do resgate “sempre a olhar para os níveis de capital dos bancos”, apurando necessidades de reforço de capitais ou redução da atividade para assegurar níveis de capital adequados.

Mas, frisou “a via gradual revelou-se possível e só não foi totalmente bem sucedida por duas circunstâncias, que não têm a ver com o memorando de entendimento nem o supervisor”.

O governador, referia-se aos casos BES e Banif. No primeiro, tratou-se de “uma instituição que não quis recorrer à ajuda pública”. E, no segundo, “uma instituição que não conseguiu cumprir os requisitos para a ajuda pública, ao não ver aprovado na DG Concorrência o seu plano de reestruturação”.