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Bolsas. Europa abre no vermelho depois de nova derrocada na China

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O índice alemão Dax da bolsa de Frankfurt está a cair mais de 3%. O PSI 20, da bolsa de Lisboa, está a perder mais de 2%. Quedas de mais de 7% nas bolsas chinesas provocam novo contágio na Ásia e Europa

Jorge Nascimento Rodrigues

Os índices das bolsas de Frankfurt e de Estocolmo estão a cair mais de 3%. As praças europeias abriram no vermelho depois de mais uma derrocada bolsista em Xangai e Shenzhen, com a antecipação do fecho em virtude de um crash dos índices superior a 7%. Na bolsa de Lisboa, o índice PSI 20, já perde mais de 2%.

Desde o início do ano, em virtude do contágio chinês e do impacto negativo da continuação da queda dos preços do petróleo, os índices Dax alemão e OMXS30 sueco já perderam mais de 7%, liderando as quedas na Europa. Com perdas acima de 5%, incluem-se, ainda, o MIB italiano, o Ibex 35 espanhol, o Cac40 francês e o AEX holandês. Estes principais índices europeus encontra-se entre os 15 índices em todo o mundo que mais foram penalizados pelo contágio chinês e pela queda a pique do preço do barril de ouro negro.

O preço do barril de Brent cotava-se em 32,45 dólares na abertura da sessão europeia, em mínimos desde abril de 2004. No final de março e princípio de abril de 2004, os preços do Brent registaram valores nos patamares de 31 e 32 dólares. Um preço abaixo de 31 dólares foi registado a 13 de fevereiro daquele ano. O índice da Bloomberg para as matérias-primas perdia 1,08% na abertura europeia.

O mercado petrolífeiro continua marcado por um excesso de oferta. A agência EIA dos Estados Unidos reportou esta semana que os stocks de gasolina aumentaram em 10,6 milhões de barris na semana passada, a maior subida de inventário desde 1993. Os analistas estão a interpretar o conflito irano-saudita como mais uma acha para impedir qualquer acordo de redução do teto de produção do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), de que são membros os dois países em conflito diplomático, como sublinhou hoje Tom Whipple, da "Peak Oil Review". São fatores de pressão em baixa do preço do crude.

A revelação nas atas da reunião de dezembro da Reserva Federal norte-americana (Fed) de um clima de "incerteza" e de "inquietação" manifestado pelos banqueiros centrais dos Estados Unidos pesou negativamente no "sentimento" dos investidores. Para alguns participantes na reunião de 15 e 16 de dezembro da Fed, o acordo para a subida das taxas de juro foi obtido "por um triz". As novas tensões geopolíticas no Médio Oriente, com o conflito diplomático em curso entre a Arábia Saudita e o Irão, e na Península coreana com o anúncio pelo regime de Pyongyang de um teste de uma bomba de hidrogénio, agravaram a situação internacional.

Corrida a valores refúgio

O agravamento da situação nos mercados bolsistas e petrolífero está a levar a uma corrida dos investidores a valores refúgio de rendimento variável ou fixo.

O preço do ouro subiu mais de 3% e o da prata mais de 1% desde o início do ano.

As yields das obrigações alemãs e norte-americanas a 10 anos desceram, diminuindo o custo de financiamento para os dois países emitentes e reduzindo a taxa de remuneração para os investidores. Desde 31 de dezembro, naquele prazo de referência, as yields das Bunds (designação das obrigações alemãs a 10 anos) desceram 15 pontos base e as relativas aos títulos do Tesouro norte-americano baixaram 14 pontos base.

  • Wall Street e Nasdaq fecharam com perdas esta quarta-feira face a uma quebra de 5,5% nos preços do petróleo. Divulgação das atas da reunião da Fed revela que a unanimidade foi "por um triz" face à incerteza sobre a inflação e as exportações norte-americanas

  • A negociação nas bolsas chinesas foi suspensa pela segunda vez esta semana. Até ao encerramento antecipado desta quinta-feira, Xangai perdia 7% e Shenzhen mais de 8%. Tóquio caiu mais de 2% e Hong Kong mais de 3%. Preço do Brent desceu para mínimos de quase doze anos