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Abalo em Nova Iorque. Wall Street cai mais de 2% e Nasdaq perde 3%

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O contágio da derrocada chinesa desta quinta-feira teve um impacto negativo mais forte nos EUA do que na Europa. Preço do petróleo fixou-se acima de 33 dólares, num dia em que chegou a mínimos de quase 12 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

Wall Street fechou esta quinta-feira, de novo, no vermelho e as bolsas mundiais deram um novo tombo.

O índice Dow Jones 30 recuou 2,32% e o S&P 500 desceu 2,36%. Na bolsa das tecnológicas, o índice Nasdaq perdeu 3,03%. A queda nas bolsas de Nova Iorque aprofundou-se depois da segunda derrocada bolsista chinesa e da queda dos preços do barril de petróleo para mínimos de quase 12 anos.

A divulgação na quarta-feira das atas da última reunião da Reserva Federal, o banco central norte-americano, também, não ajudou. Ficou a saber-se que a unanimidade na decisão tomada de subir as taxas de juro foi "por um triz" e que os participantes na reunião expressaram inquietação com as dinâmicas da inflação e da exportação norte-americanas. "Incerteza" e "riscos assimétricos" apareceram na transcrição oficial.

Na quarta-feira, o índice MSCI para os Estados Unidos recuara 1,36%, liderando as quedas nas três “regiões”. Hoje, Wall Street voltou a cair mais do que a Ásia e a Europa e o índice MSCI referido recuou 2,39%, mais do que os 2,3% para a Ásia e 1,47% para a Europa.

No entanto, desde o início da crise bolsista chinesa na segunda-feira, com a primeira derrocada em Xangai e Shenzhen, a escala de perdas coloca a Ásia com o maior impacto, uma queda de quase 6% do índice MSCI respetivo, seguida da Europa, com 5,57%, e dos EUA, com 5%. Em termos de grupo, o indice MSCI para as economias emergentes já perdeu quase 7%.

Entretanto, o regulador chinês dos mercados financeiros tomou duas decisões importantes na quinta-feira à noite (hora local). Primeiro, suspendeu o mecanismo automático que entrara em vigor no início do ano e que previa a paragem temporária das negociações em bolsa se o índice de referência perdesse mais de 5% e o fecho da sessão se ultrapassasse a linha vermelha de 7%. Na sexta-feira já não estará em vigor. No entanto, para cada ação, há um limite de variação de 10% num sentido ou noutro. Em segundo lugar, decidiu que os grandes investidores não poderão vender por trimestre mais de 1% do valor das ações de uma cotada e terão de apresentar com quinze dias de antecedência os seus planos de venda. A anterior interdição deste tipo de investidores e dos executivos das empresas cotadas venderem as suas posições vigorou por seis meses desde a crise bolsista do verão passado e termina amanhã.

Bolsas mundiais já perderam mais de 5%

À escala mundial, o índice MSCI para as bolsas de todos os países desceu 2,16% esta quinta-feira, aprofundando a queda de 1,24% do dia anterior. Desde o início do ano, a perda acumulada deste índice global é de 5,4%.

Na Europa, as maiores quedas, nas principais praças financeiras, registaram-se esta quinta-feira nos índices Dax de Frankfurt, OMXS30 de Estocolmo e RTSI de Moscovo, que caíram mais de 2%. Em termos de índices transversais, o Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas em 12 países da zona euro) perdeu 1,76% e o Eurostoxx 600 (seiscentas cotadas, grandes, médias e pequenas em termos de capitalização, de 18 países europeus) recuou 2,32%.

A volatilidade voltou a subir, ainda que esteja distante da observada na crise bolsista chinesa e no seu contágio em agosto do ano passado. Esta quinta-feira, o índice de pânico financeiro VIX subiu 31% para a China, 20,6% para o S&P 500 nova-iorquino, e 13% para o Eurostoxx. Entre os fechos de quarta e quinta-feira, os índices subiram de 26,31 para 29,79 euros no caso do VIX europeu, de 20,59 para 24,84 dólares no caso do VIX norte-americano, e de 33,36 dólares para 43,66 dólares no caso do VIX chinês.

Preço do petróleo em mínimos de quase 12 anos

O preço do barril de petróleo continuou em plano inclinado, ainda que a queda tenha abrandado nas sessões europeia e norte-americana. Tendo atingido um mínimo de 32,67 dólares no final da sessão asiática, o preço do barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, fechou em 33,66 dólares, uma redução de 1,7% em relação ao valor do dia anterior.

Os índices de matérias-primas terminaram “mistos”. O índice global da Bloomberg subiu 0,05%, enquanto o índice CRB caiu 0,54% e o S&P GSCI perdeu 0,85%.

As maiores quedas de preços de matérias-primas, acima de 3%, verificaram-se, esta quinta-feira, no sumo de laranja (Brasil em foco como principal exportador), zinco (Bélgica, Canadá, Holanda, Coreia do Sul e Austrália como principais exportadores em 2014) e cobre (Chile, Peru, Austrália, EUA e Canadá, os cinco principais exportadores em 2014). As principais subidas registaram-se para o gás natural (mais de 6%), açúcar, prata, ouro, trigo, platina e cacau. O ouro e a prata como valores de refúgio têm estado em destaque desde o início do ano, com os preços a subir 4,6% e 3,6% respetivamente.