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Moçambique tem o melhor embaixador económico do ano

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José Augusto Duarte, embaixador de Portugal em Moçambique

Jose Carlos Carvalho

José Augusto Duarte é embaixador de Portugal em Moçambique desde 2013 e foi distinguido com o prémio "Melhor Embaixador Económico do Ano". Vai aplicar o prémio em ações de promoção de empresas de tecnologias e inovação

A contração da economia moçambicana, a braços com uma quebra acentuada do investimento direto estrangeiro e de uma forte desvalorização do metical que afecta o orçamento do país, não é razão para as empresas portuguesas deixaram de olhar para Moçambique como um mercado onde é vantajoso estar.

As palavras são do embaixador português em Moçambique, José Augusto Duarte, vencedor do prémio da Câmara do Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) para o diplomata económico do ano. Um prémio de 25 mil euros que distingue o chefe de missão diplomática que mais se destacou em 2015 no apoio à internacionalização de empresas portuguesas e na captação do investimento estrangeiro.

Moçambique foi um dos mercado de destino das empresas e dos trabalhadores portugueses nos anos da Troika e especialmente a partir de 2010, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, juntamente com a AICEP, tem feito um trabalho relevante no apoio às empresas portuguesas no país, onde há mais de 300 sociedades a operar.

Os investimentos no mercado moçambicano serão "certamente vantajosos", apesar da contração prevista para o início deste ano, disse à Lusa o embaixador português em Moçambique, que destacou o papel da comunidade portuguesa na criação de emprego local. Antes de ser colocado em Moçambique, José Augusto Duarte era o diretor geral da administração do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"Não tenho a menor dúvida de que aquele é um mercado que merece a pena ser estudado e observado de perto, onde os investimentos serão certamente vantajosos", defendeu o embaixador José Augusto Duarte, que recebeu o prémio de Melhor Embaixador Económico do Ano, durante o Seminário Diplomático, encontro anual dos embaixadores portugueses com membros do Governo e representantes da sociedade civil, da academia e do mundo empresarial, promovido pelo ministério dos Negócios Estrangeiros. Um encontro que termina hoje.

Apesar de as instituições internacionais apontarem para uma retração, pelo menos até ao final do primeiro trimestre deste ano, "a economia moçambicana tem perspetivas fantásticas de crescimento", sublinhou, em declarações à Lusa. E acrescentou: "É um mercado que não pode ser esquecido, abandonado, apenas por um ano mais complicado".

José Augusto Duarte defende que "a questão económica, provavelmente, será mais importante para a presença e atração de capitais portugueses do que propriamente a questão política, se ela se mantiver na situação atual". Os portugueses em Moçambique - cerca de 23 mil - sempre mantiveram "distância completa" relativamente à situação política interna.

Entre 2013 e 2014, durante o conflito armado entre as forças governamentais e as forças paramilitares da Renamo, o embaixador não viu "nenhuma empresa com intenções de abandonar o país, apesar da contração económica" que então se verificava, recordou.

O diplomata destacou o papel da comunidade portuguesa em Moçambique que, apesar da sua pequena dimensão, é a comunidade estrangeira que cria mais postos de trabalho para a população local, devido ao "tipo de investimento, sobretudo de pequenas e médias empresas" (PME), existindo ainda investimento português "de grande monta", em áreas como a banca, florestal, seguros e serviços ou construção civil.

Satisfeito com o prémio recebido, o embaixador afirmou: "Fiz aquilo que era a minha obrigação profissional, com o maior entusiasmo e a maior devoção possível". Os 25 mil euros do prémio, esclareceu, serão usados "em ações de promoção das empresas portuguesas de nichos menos conhecidos, como as novas tecnologias e a inovação". O diplopmata quer promover "vários encontros entre empresas portuguesas com investimento em Moçambique por forma a desenvolver novas parcerias".

O prémio Francisco de Melo e Torres, prestigiado diplomata português do século XVII, é entregue este ano pela terceira vez e a Câmara de Comércio afirma que a recetividade junto dos diplomatas tem sido cada vez melhor. O júri do prémio é presidido pelo embaixador António Monteiro, e conta com Bruno Bobone, presidente da CCIP, e Miguel Horta e Costa, vice-presidente da CCIP.

Nas edições anteriores, os distinguidos foram, em 2013, o embaixador Francisco Ribeiro Telles, então em Brasília, e, no ano passado, o chefe da missão portuguesa na Alemanha, Luís de Almeida Sampaio.