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Bolsas de Nova Iorque perdem mais de 1%

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Wall Street e Nasdaq fecharam com perdas esta quarta-feira face a uma quebra de 5,5% nos preços do petróleo. Divulgação das atas da reunião da Fed revela que a unanimidade foi "por um triz" face à incerteza sobre a inflação e as exportações norte-americanas

Jorge Nascimento Rodrigues

Wall Street fechou no vermelho esta quarta-feira com os índices Dow Jones 30 e S&P 500 a encerrarem a sessão com perdas de 1,47% e 1,19% respetivamente. Na bolsa das tecnológicas, o índice Nasdaq recuou 1,14%. No dia anterior, as bolsas norte-americanas haviam registado um ganho modesto de 0,19% depois de terem perdido 1,53% na segunda-feira, o dia negro nas bolsas chinesas.

As bolsas norte-americanas lideraram esta quarta-feira as quedas à escala mundial. O índice MSCI para os Estados Unidos perdeu 1,36% face a um recuo de 1,03% para o índice para a Ásia Pacífico e a uma queda de 1% para o índice para a Europa. À escala mundial, o índice MSCI fechou o dia registando uma perda de 1,24%.

O dia foi marcada pelo afundamento, de novo, dos preços do petróleo, depois dos dados do índice PMI para os serviços na China revelarem a continuação do abrandamento neste sector, não compensando a contração na indústria da segunda maior economia do mundo. O preço do barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, fechou, pelas 21h (hora portuguesa), em 34,33 dólares, um novo mínimo desde dezembro de 2008. Durante a sessão da tarde chegou a descer para 34,14 dólares.

O preço do Brent caiu hoje 5,6%, a sexta maior queda diária desde janeiro de 2015. O maior afundamento do preço desta matéria-prima registou-se a 1 de setembro do ano passado, com uma quebra diária de 8,48%.

Os índices de matérias-primas registaram quedas esta quarta-feira. O índice da Bloomberg caiu 1,32%, o CRB da Reuters perdeu 2,09% e o S&P GSCI recuou 3%.

Apesar das duas bolsas chinesas terem fechado com ganhos superiores a 2%, a maré vermelha dominou as restantes praças financeiras do mundo. Os principais índices que mais caíram incluem o Tadawull da Arábia Saudita (-3,34%), o MIB de Milão (-2,67%), o RTSI de Moscovo (-2,11%), o iBovespa de São Paulo (-1,52%) e o Ibex 35 de Madrid (-1,48%). O PSI 20, da bolsa de Lisboa, perdeu 0,98% depois de ter estado a cair mais de 1,7%.

A volatilidade voltou a subir esta quarta-feira, depois de uma redução no dia anterior. O índice de pânico financeiro VIX aumentou 6,46% nos Estados Unidos, 5,84% na China e 0,38% na Europa. Os níveis dos três indicadores VIX fecharam hoje em níveis próximos dos registados na segunda-feira, o dia da derrocada das bolsas chinesas. O índice VIX ligado ao Eurostoxx 50 subiu para 26,31 euros. O VIX ligado ao S&P 500 de Wall Street aumentou para 20,59 dólares. E o índice ligado à China fechou hoje em 33,36 dólares, acima inclusive do valor de 32,32 a 4 de janeiro, o dia da derrocada bolsista.

Incerteza domina banqueiros centrais norte-americanos

A publicação das atas da reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed) realizada a 15 e 16 de dezembro do ano passado, em que se decidiu iniciar o processo de subida das taxas de juro para um patamar entre 0,25% e 0,50%, revelou que a unanimidade foi “por um triz”, pois foi por pouco que alguns membros do Comité de Política Monetária acederam a aprovar o aumento.

A razão deste “por um triz” é a “incerteza” e a “inquietação” que muitos membros do Comité de Política Monetária do banco central norte-americano expressaram, na feunião de dezembro, em relação às dinâmicas da inflação e da exportação norte-americana.

Muitos participantes na reunião admitiram que o impacto negativo da queda dos preços da energia na inflação será “um pouco mais longo do que o previsto anteriormente”. E vários sublinharam que a exportação norte-americana sofre a pressão de quatro fatores: “uma maior apreciação do dólar” (a continuação de um dólar forte), a “fraqueza persistente nos preços das matérias-primas”, “o stresse crescente nas economias emergentes”, e as dificuldades da China “navegar” as mudanças estruturais e cíclicas em curso.

Apesar de todos concordarem em que os “riscos estão equilibrados” e que as ameaças externas diminuíram desde o verão de 2015, não se deixou de sublinhar, na reunião, que “riscos assimétricos” são razão bastante para que a subida das taxas de juro deva ser “gradual” e a abordagem seja sempre “cautelosa”.

Os banqueiros da Fed apontam para uma taxa de juros de 1,4% no final de 2016, num processo de subida que sublinham que não será "mecânico" a partir do atual intervalo entre 0,25% a 0,50%. Ou seja, como eles próprios explicam, não se comprometem com "qualquer ritmo específico dos ajustamentos". As probabilidades para uma nova subida das taxas de juro só ultrapassam 50% a partir da reunião de 16 de março e sobem até 72% na reunião de 15 de junho, segundo as probabilidades implícitas calculadas pela CME a partir dos futuros das taxas de juro da Fed.

  • Seguindo a tendência europeia e asiática de quedas, as bolsas de Nova Iorque iniciaram a sessão de quarta-feira com descidas superiores a 1% nos índices S&P 500 e Nasdaq. Preço do barril de Brent abaixo de 35 dólares, em mínimos de mais de sete anos

  • As bolsas de Xangai e Shenzhen fecharam esta quarta-feira com ganhos superiores a 2%, mas as restantes principais praças financeiras da Ásia Pacífico registaram perdas. Moeda chinesa desvalorizou 0,5% na sessão chinesa de hoje, uma depreciação similar à ocorrida desde final de 2015. Preços de matérias-primas em queda

  • Preço do Brent bate mínimo de 2015

    O preço do barril de Brent está a negociar em 35,15 dólares abaixo do mínimo do ano passado registado a 22 de dezembro. A próxima meta é descer para o patamar dos 33 dólares a que chegou a 26 de dezembro de 2008