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Bolsas chinesas recuperam de derrocada, mas resto da Ásia continua no vermelho

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As bolsas de Xangai e Shenzhen fecharam esta quarta-feira com ganhos superiores a 2%, mas as restantes principais praças financeiras da Ásia Pacífico registaram perdas. Moeda chinesa desvalorizou 0,5% na sessão chinesa de hoje, uma depreciação similar à ocorrida desde final de 2015. Preços de matérias-primas em queda

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas chinesas saíram esta quarta-feira do vermelho, depois de uma derrocada de mais de 7% no índice de Xangai e de 10% no índice de Shenzhen nos dois primeiros dias de negociação do novo ano. O índice composto de Xangai fechou a subir 2,25% e o índice similar para Shenzhen registou um ganho de 2,61%. Os índices das principais cotadas prosseguiram em terreno positivo. O CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas) subiu 1,75% e o A50 (das cinquenta cotadas com ações de tipo A) avançou 1,17%. Já na terça-feira, estes dois índices das principais cotadas haviam registado subidas, ainda que modestas.

Os analistas atribuem esta reanimação bolsista à probabilidade de ser prolongada por mais seis meses a proibição de venda de ações por parte de grandes investidores e executivos de empresas cotadas com mais de 5% do capital. A proibição entrou em vigor a 8 de julho de 2015, na sequência da turbulência nas bolsas chinesas, e deveria expirar na próxima sexta-feira.

A moeda chinesa desvalorizou 0,5% em relação ao dólar esta quarta-feira, durante a sessão asiática, o mesmo nível de depreciação que se registou entre 31 de dezembro de 2015 e 5 de janeiro de 2016. O dólar valia 6,49 yuan no final do ano e subiu para 6,55 yuan no fecho da sessão chinesa.

Apesar da China regressar ao verde, o resto das principais bolsas da Ásia Pacífico continua no vermelho. As maiores quedas registam-se em três praças: o índice ASX 200 de Sidney caiu 1,18%, o TOPIX de Tóquio recuou 1,05% e o índice geral de Taiwan perdeu também 1,05%. O Hang Seng, de Hong Kong, desceu perto de 1%. A descida do índice sul coreano KOSPI foi mais modesta, caiu 0,26%.

Nas economias de fronteira (mercados financeiros que ainda não são considerados emergentes), apenas a bolsa da Tailândia registava um recuo. A bolsa da Indonésia liderava as subidas nestes mercados com um avanço do seu índice em mais de 1,3%.

Abrandamento da China e riscos geopolíticos

Apesar da recuperação nas bolsas de Xangai e Shenzhen, o “sentimento” dos investidores asiáticos continua marcado pelos dados económicos da China.

O índice PMI Caixin para o sector de serviços em dezembro caiu para 50,2 pontos, ainda em terreno de expansão (acima de 50 pontos), mas em desaceleração há 17 meses, segundo foi divulgado esta quarta-feira pela revista financeira Caixin. Os analistas previam a subida de 51,2 pontos em novembro para 52,3 pontos no mês seguinte e ficaram, por isso, “desapontados”. Esta continuação do abrandamento nos serviços não compensa a contração que se está a verificar no mesmo índice para o sector industrial. Na segunda-feira foi divulgado o PMI Caixin para a indústria manufatureira revelando uma queda de 46,6 pontos em novembro para 46,4 pontos em dezembro, significando o aprofundamento da contração. Em suma, os sinais de dezembro apontam para um abrandamento superior ao esperado do conjunto da economia chinesa.

Os riscos geopolíticos, também, estão a afetar a atitude dos investidores. A par da evolução do conflito diplomático grave entre a Arábia Saudita e o Irão, a Ásia foi sacudida esta quarta-feira pelo anúncio pela Coreia do Norte de que realizara um teste de uma bomba de hidrogénio na sua base nuclear de Punggye-ri. O último teste nuclear tinha-se registado em fevereiro de 2013. O teste de hoje provocou um sismo artificial com uma magnitude de 5,1.

O preço do barril de Brent estava a descer cerca de 1% para 36,25 dólares e o índice da Bloomberg para as matérias-primas recuou ligeiramente esta quarta-feira na sessão asiática, com uma descida de -0,09%. Ontem, o Brent desceu 2,4% e o índice Bloomberg recuou 0,3%.

Os futuros em Frankfurt e em Wall Street negociavam esta quarta-feira no vermelho, antecipando aberturas em terreno negativo nestas importantes bolsas.

Recorde-se que, na terça-feira, as bolsas chinesas registaram perdas menores do que na segunda-feira aquando da derrocada. O efeito de contágio chinês, juntamente com os riscos geopolíticos, gerou, ontem, um recuo dos índices MSCI para a Ásia Pacífico e Europa compensados pelos ganhos nos Estados Unidos e nas economias emergentes. O índice mundial MSCI acabou por fechar a sessão de 5 de janeiro sem alteração. Na Europa, Milão liderou as subidas e as quedas bolsistas concentraram-se em quatro nórdicos (Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia), Atenas e Lisboa (PSI 20 perdeu 0,3%). Nos Estados Unidos, Wall Street fechou com ganhos de 0,37% para o S&P 500 e 0,06% para o Dow Jones 30, mas o Nasdaq perdeu 0,24%. Os índices de volatilidade na China, Europa e EUA desceram em relação aos dois dias anteriores.

  • Coreia do Norte testou bomba H pela primeira vez

    “O primeiro teste com bomba de hidrogénio da República foi realizado com sucesso às 10h do dia 6 de janeiro, baseado na determinação estratégica do Partido dos Trabalhadores”, anunciou a televisão estatal norte-coreana. O teste foi encomendado pessoalmente pelo Presidente Kim Jong-un e aconteceu dois dias antes do seu aniversário

  • Os índices de pânico bolsista subiram significativamente na China e na Europa. Frankfurt, Estocolmo, Amesterdão, Milão e Tóquio foram as bolsas mais afetadas pelo contágio da derrocada chinesa. Em duas horas, à tarde, o preço do petróleo caiu de um máximo para um mínimo do dia. Derrocada chinesa custou 2% às bolsas mundiais