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Volatilidade domina bolsas e petróleo na primeira sessão do ano

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Os índices de pânico bolsista subiram significativamente na China e na Europa. Frankfurt, Estocolmo, Amesterdão, Milão e Tóquio foram as bolsas mais afetadas pelo contágio da derrocada chinesa. Em duas horas, à tarde, o preço do petróleo caiu de um máximo para um mínimo do dia. Derrocada chinesa custou 2% às bolsas mundiais

Jorge Nascimento Rodrigues

O contágio chinês dominou esta segunda-feira as bolsas mundiais. As bolsas de Xangai e Shenzhen fecharam o primeiro dia do novo ano em situação de crash, com a sessão encerrada antecipadamente ao início da tarde. Seguiu-se uma onda de choque nas bolsas mundiais. A última "região" a fechar, a das Américas, registou perdas de mais de 1,5% em Wall Street e mais de 2% no Nasdaq em Nova Iorque, em São Paulo (índice IBovespa) e Cidade do México (índice IPC).

Na Europa e na Ásia, nas principais bolsas, o efeito da derrocada chinesa fez-se sentir, com quedas superiores as 3%, nos índices Dax de Frankfurt, OMX 30 de Estocolmo, MIB de Milão, Aex de Amesterdão e Nikkei 225 de Tóquio.

O efeito chinês esta segunda-feira marcou sobretudo as bolsas da Alemanha, Suécia, Itália, Holanda e Japão. Este grupo de cinco economias desenvolvidas foi o mais sensível à derrocada chinesa. Numa segunda linha, com quedas de índices entre 2 e 3%, incluem-se Polónia, África do Sul, Brasil, Hong Kong, Taiwan, Qatar, Arábia Saudita e México.

No mês de agosto do ano passado, quando ocorreram dois períodos de derrocada nas bolsas chinesas entre 18 e 21 e 24 e 26, os índices bolsistas mais afetados no mundo foram o Tadawull da Arábia Saudita (quebra mensal de mais de 17%), o Hang Seng de Hong Kong (queda de mais de 12%), o Aex de Amesterdão (queda de mais de 10%) e o Dax de Frankfurt (queda de cerca de 9,3%). O líder do cartel petrolífero, a principal plataforma financeira internacional da China e duas importantes bolsas da zona euro foram as mais "sensíveis" ao contágio.

Em termos mundiais, as bolsas perderam esta segunda-feira 2,05%, segundo o índice MSCI mundial. O grupo mais afetado envolveu as economias emergentes cujo índice MSCI recuou 3,33%, logo seguido pela "região" da Europa, com o índice MSCI respetivo a cair 3,05%. Apesar do epicentro da crise bolsista ter estado na China, o índice da "região" Ásia Pacífico recuou 2,33%. No caso dos Estados Unidos, o índice MSCI perdeu 1,5%. Wall Street e Nasdaq foram os menos afetados.

Os índices de pânico financeiro subiram esta segunda-feira quase 22% na Europa, cerca de 20% na China e perto de 14% em Wall Street. Conhecidos pela designação VIX, estes índices de volatilidade bolsista fecharam em 32,32 dólares na China (índice VXFXI), 27 euros na Europa (índice VSTOXX, ligado ao Eurostoxx 50) e 20,7 dólares nos Estados Unidos (índice VIX CBOE relacionado com o índice S&P 500).

Apesar do salto, estes índices de pânico estão, ainda, muito abaixo dos picos registados na crise bolsista chinesa de agosto do ano passado quando os VIX atingiram, a 24 de agosto, 58,78 dólares na China, 53,29 dólares nos EUA e 45,70 euros na Europa. .

Sobe e desce do preço do ouro negro

No preço do petróleo a amplitude de variação diária foi significativa. No caso do preço do Brent, a variedade europeia de referência internacional, em apenas duas horas à tarde (na sessão europeia), atingiu um máximo diário de 38,86 dólares pelas 14h45 (hora de Portugal) para cair para um mínimo diário de 36,89 dólares pelas 16h30.

O preço do Brent fechou esta segunda-feira em 37,35 dólares, representando uma subida de apenas 0,2% em relação ao fecho de 2015. No caso do WTI, a variedade norte-americana, o preço do barril fechou em 36,88 dólares, significando uma queda de 0,4% em relação ao fecho do final de dezembro passado. Ao início da tarde, na sessão europeia, o Brent estava a subir 3% e o WTI mais de 2%. No caso da primeira variedade, a subida desacelerou substancialmente; e, no caso da segunda, inverteu mesmo a trajetória.

Os índices de matérias-primas fecharam esta primeira sessão do novo ano com quedas. O índice da Bloomberg perdeu 0,83%, o CRB da Reuters caiu 0,94% e o S&P GSCI recuou 0,65%.

Segundo a Investing.com, as matérias-primas com quedas de preços superiores a 2% esta segunda-feira foram aveia, níquel, cacau, trigo, zinco, chumbo, alumínio e óleo de soja, por ordem decrescente.

Risco geopolítico não eclipsou excedente no mercado petrolífero

Recorde-se que esta segunda-feira ficou marcada por uma derrocada nas bolsas de Xangai e Shenzhen, com o índice composto da primeira a cair 6,86% e o similar para a segunda a perder 8,22%. Os índices sobre o andamento da indústria chinesa em dezembro, divulgados no fim de semana e na segunda-feira, revelaram que a contração continua. O contágio chinês, depois, alastrou para a Ásia, Europa e Wall Street.

Na Europa, os analistas foram surpreendidos pela descida em dezembro da taxa de inflação na Alemanha, quando se esperava uma subida para 0,4%. A inflação anual, em termos homólogos, desceu de 0,3% em novembro para 0,2% em dezembro, revelando que o processo de desinflação não larga a maior economia da União Europeia.

Apesar do aumento do risco geopolítico fruto do conflito diplomático em desenvolvimento entre a Arábia Saudita e o Irão, dos ataques a um porto estratégico do norte da Líbia, e do impacto conjugado destes eventos no mercado petrolífero, o quadro fundamental deste não se alterou.

As estimativas sobre a dimensão do excedente de oferta no mercado do ouro negro varia entre 500 mil e 1 milhão de barris diários, com alguns analistas mais pessimistas a apontarem para 2 milhões de barris. Por isso, a pressão fundamental continua a ser para a descida do preço do barril do ouro negro. No entanto, alguns responsáveis deste mercado admitem que o nível de preços mais baixo deste ciclo possa ser atingido ainda no primeiro trimestre de 2016, iniciando-se, a partir daí, um ciclo ascendente.