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Impacto negativo do abrandamento da China está a ser maior do que o previsto, diz FMI

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A China deve continuar a ser um tema central a merecer toda a atenção em 2016, aconselha Maurice Obstfeld, o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, numa entrevista publicada esta segunda-feira, no dia em que as bolsas chinesas registaram uma derrocada

Jorge Nascimento Rodrigues

“Os impactos globais da redução da taxa de crescimento da China, através da diminuição das suas importações e de uma procura mais baixa de matérias-primas, tem sido muito maior do que poderíamos ter antecipado”, afirma Maurice Obstfeld, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) numa entrevista publicada esta segunda-feira no site da organização chefiada por Christine Lagarde.

Por isso, o economista-chefe do FMI avisa que a China deverá estar em lugar cimeiro na lista de temas a que se deverá dar a máxima atenção em 2016. O alarme deverá disparar se a taxa de crescimento se revelar abaixo dos objetivos oficiais. “Um crescimento abaixo das metas oficiais das autoridades poderia voltar a assustar os mercados financeiros globais”, avisa. E não chegará “forçar” o cumprimento de metas, alerta: “Métodos consagrados para fazer cumprir metas de crescimento poderiam simplesmente prolongar desequilíbrios económicos”.

As previsões oficiais do FMI apontam para um crescimento de 6,3% em 2016, uma redução em relação a 6,8% no ano anterior. O objetivo político do governo em Pequim indica um crescimento médio anual de 6,5% para o quinquénio de 2016 a 2020.

Obstfeld substituiu Olivier Blanchard como economista-chefe em setembro do ano passado.

Riscos para os emergentes

Um tema interligado, que estará “no centro do palco”, diz o economista-chefe do FMI, é a evolução da situação nas economias emergentes. Ao impacto global do abrandamento da China, e em particular nos mercados das matérias-primas, junta-se o efeito do processo de subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana iniciado em dezembro passado.

“Entradas de capital estão em baixa, algumas reservas foram gastas, os prémios de risco das dívidas soberanas têm-se ampliado, as moedas enfraqueceram, e o crescimento está a desacelerar acentuadamente em alguns países. A desvalorização da moeda tem provado, até agora, ser uma almofada extremamente útil para uma série de choques económicos. Contudo, novas quedas a pique nos preços das matérias-primas, incluindo a energia, conduziriam a ainda mais problemas para os exportadores, incluindo depreciações cambiais mais nítidas que, potencialmente, desencadearão vulnerabilidades ainda escondidas nas balanças ou inflação”, refere.

A importância das economias emergentes pode entender-se com dois números citados por Obstfeld nesta entrevista: elas representam 56% do PIB mundial (avaliado em paridade de poder de compra) e 79% do crescimento global, para pesos médios no período de 2010 a 2015.