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Ferrari com dia negro na estreia de cotação em Milão

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STEFANO RELLANDINI / Reuters

A cotação inicial da marca icónica italiana na Bolsa de Milão - com a designação Race - sofreu o efeito negativo das quedas das bolsas internacionais

Marcada para a história como um "dia negro", a "corrida" inicial da Ferrari na Europa, como empresa independente do Grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA), cotada esta segunda-feira na Bolsa de Milão com a designação Race, não correu bem.

Atendendo ao preço de "arranque" que esta segunda-feira tiveram as suas ações no mercado italiano - de 43 euros, ou 47 dólares -, pode dizer-se que a marca italiana se colocou na "pole position" da bolsa milanesa mas a sorte não esteve do seu lado, porque hoje os mercados acionistas europeus registaram perdas e a China sofreu um novo revés, com as cotações do grande mercado asiático a serem suspensas após uma queda de 7%.

O mínimo que se pode dizer é que a Ferrari não teve sorte na escolha do dia em que as ações Race começaram a ser negociadas na Bolsa de Milão.

Depois de terem sido cotadas na Bolsa de Nova Iorque - a 21 de outubro -, as Race beneficiaram de uma entrada fulgurante em Wall Street, com o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, em tom manifestamente eufórico, a afirmar então que "o mundo ama a Itália".

As ações Race fecharam o ano de 2015 com uma cotação de 48 dólares (cerca de 44 euros) em Nova Iorque, mas esta segunda-feira a sorte não esteve do seu lado em Milão, com as cotações a caírem para 41,75 euros.

A nova Ferrari é agora controlada pela família Agnelli, através da holding Exor Spa - que é igualmente um dos grandes acionistas do Grupo FCA - e por Piero Ferrari, filho de Enzo Ferrari, fundador da marca, que detém 10% da Race.

A ações da marca desportiva atingiram os 43,24 euros nos minutos iniciais de cotação em Milão, mas logo a seguir caíram 3,89%, para 41,75 euros, e foram suspensas por evidenciarem grande volatilidade.

Quando foi cotada em Nova Iorque, a marca ficou avaliada em cerca de 10 mil milhões de dólares (9,2 mil milhões de euros), correspondentes à participação de 10% da Ferrari (a 52 dólares por ação) que o Grupo FCA colocou no mercado novairoquino.

Para admissão à cotação na Bolsa de Milão, o Grupo FCA utilizou uma relação de troca das ações Race feita na base de 10 ações da Fiat Chrysler por cada nova ação da Race.

A marca Ferrari tornou-se independente do Grupo FCA, que é presidido pelo herdeiro do império Fiat, John Elkann. A Ferrari é liderada por Sergio Marchionne, que pretende aumentar a atividade da Ferrari, como marca de luxo, e desenvolver os projetos na Fórmula 1.

Para o Grupo FCA, esta operação será decisiva para reduzir o seu nível de endividamento e relançar as marcas Maserati e Alfa-Romeo.