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Bolsas. Novo ano abre com derrocada na China e maré vermelha na Ásia e Europa

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A bolsa de Xangai fechou esta segunda-feira com uma quebra de quase 7%. Os índices bolsistas de Tóquio e Hong Kong perderam mais de 3%. Principais bolsas da Europa abrem com quedas superiores a 2%. PSI 20 está a cair mais de 1,5%

Jorge Nascimento Rodrigues

O ano de 2016 começou mal nas bolsas da Ásia Pacífico que já fecharam com quedas significativas e abriu em terreno negativo na Europa. Na primeira sessão bolsista do novo ano, a maré vermelha começou na China e contagiou o resto da Ásia e, agora, a Europa.

Um sabor a agosto de 2015 regressou esta segunda-feira à Ásia com as bolsas chinesas em derrocada, depois de dados oficiais divulgados no fim de semana sobre o desempenho da economia industrial chinesa em dezembro do ano passado confirmarem a aceleração do abrandamento da segunda maior economia do mundo. A indústria manufactureira da segunda maior economia do mundo contraiu pelo quinto mês consecutivo.

Esta segunda-feira foi divulgado em Pequim o índice PMI Caixin para a indústria manufactureira que revela que este sector está em contração há 10 meses consecutivos. Este índice do jornal financeiro privado Caixin caiu de 48,6 pontos em novembro para 48,2 em dezembro. Um nível abaixo de 50 pontos sgnifica contração do sector abrangido pelo índice Purchasing Managers' Index (PMI) que revela a opinião dos responsáveis por compras de fornecimentos.

O risco geopolítico acentuou-se com o conflito diplomático em desenvolvimento entre a Arábia Saudita e o Irão, o que está, também, a pesar negativamente no "sentimento" dos investidores financeiros.

O índice composto de Xangai caiu 6,86% e o índice similar para Shenzhen, a segunda bolsa do país, afundou ainda mais com uma quebra de 8,22%. O índice CSI 300 - das trezentas principais cotadas nas duas bolsas chinesas - caiu 7%. As autoridades chinesas suspenderam a negociação nas bolsas ao início da tarde quando a situação de crash se tornou clara. Foi a primeira vez que o novo mecanismo de suspensão foi acionado, no sentido de controlar a volatilidade excessiva nas bolsas chinesas e evitar a repetição de agosto de 2015. O mecanismo funciona do seguinte modo: suspende as transações por quinze minutos quando a queda atinge 5% e fecha automaticamente a sessão se as quebras ultrapassarem a linha vermelha de 7%.

Recorde-se que, na pior semana de 2015 das bolsas chinesas, o índice composto de Xangai se afundou quase 8,5% no dia 24 e mais de 7,6% no dia seguinte. Xangai e Shenhzen posicionam-se, atualmente, como quarta e quinta bolsas mundiais depois do NYSE, Nasdaq e Tóquio, em capitalização bolsista, segundo a classificação da World Federation of Exchanges, no final de 2015.

Contágio na Ásia e Europa

O contágio estendeu-se esta segunda-feira às restantes bolsas asiáticas. O índice Nikkei 225 fechou a cair 3,06% e o TOPIX recuou 2,43% na bolsa de Tóquio. Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 3,1%. Em Seul, o índice sul coreano Kospi recuou 2,17% e em Taipé o índice geral de Taiwan caiu 2,68%. As bolsas dos mercados fronteira na Ásia Pacífico estavam a perder entre 1 e 2%.

A maré vermelha chegou, agora, à Europa com as principais bolsas a perderem mais de 2%. O índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa está a cair mais de 1,5%. Os futuros em Wall Street perdiam mais de 1,5%.

O preço do barril de petróleo abriu esta segunda-feira a subir mais de 2% no início da sessão asiática, com o Brent, variedade europeia de referência internacional, e o WTI, variedade norte-americana, acima de 38 dólares. Os preços de fecho de 2015 foram 37,28 e 37,04 dólares respetivamente. Na abertura da sessão europeia, a subida já era muito mais ligeira: 37,44 e 37,28 respetivamente.

  • Depois de três anos a registar ganhos, as bolsas mundiais voltaram às quedas em 2015. As três grandes regiões e os grupos de mercados emergentes e de fronteira registaram perdas anuais. Mas Milão liderou ganhos nas economias desenvolvidas e as Bolsas de Caracas e Shenzhen foram as campeãs mundiais de subidas