Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsas regressaram ao vermelho, perderam mais de 4% em 2015

  • 333

Depois de três anos a registar ganhos, as bolsas mundiais voltaram às quedas em 2015. As três grandes regiões e os grupos de mercados emergentes e de fronteira registaram perdas anuais. Mas Milão liderou ganhos nas economias desenvolvidas e as Bolsas de Caracas e Shenzhen foram as campeãs mundiais de subidas

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais perderam 4,26% da sua capitalização em 2015, segundo o índice MSCI para todos os países. O índice regressou a terreno negativo depois de três anos a registar subidas, com destaque para o disparo de mais de 20% em 2013. Nenhuma das três grandes “regiões” – Ásia Pacífico, Estados Unidos e Europa – escapou ao vermelho e os dois grupos de mercados emergentes e de fronteira também registaram perdas.

Segundo os índices MSCI, as grandes quedas foram nos mercados fronteira, com um recuo de 17,7%, e nos emergentes com uma perda de 17%. Essas economias continuam a ser as mais afetadas por uma convergência tripla de riscos: o abrandamento da economia chinesa para um patamar abaixo de 7% ao ano, o curso negativo do preço das matérias-primas e o impacto do anúncio e concretização da desativação da política de taxas de juro perto de 0% nos Estados Unidos. O índice para a Europa desceu 5,3% e o similar para a Ásia Pacífico recuou 4,3%. Os Estados Unidos foram a região com menor queda, com o índice MSCI a cair apenas 0,77%.

Dezasseis bolsas importantes de economias desenvolvidas e de mercados emergentes e de fronteira lideraram as quedas. Nas economias desenvolvidas destacaram-se no vermelho Canadá (-10,56%), Taiwan (-10,41%), Hong Kong (-7,16%), Madrid (-7,15%) e o índice Dow Jones (-2,23%) do NYSE em Nova Iorque. Nos BRIC, Brasil e Índia destacaram-se pela negativa, com o índice Ibovespa, de São Paulo, a cair 13,31% e o índice BSE Sensex, de Mumbai, a cair 5,05%. Nos mercados emergentes e de fronteira, os nove mais frágeis foram em 2015: Ucrânia, Grécia, Chipre, Polónia, Arabia Saudita, Turquia, Tailândia, Indonésia e Marrocos. Neste “clube” encontram-se dois periféricos da zona euro e um emergente no leste da União Europeia.

Madrid o ponto fraco na zona euro

As bolsas de Atenas, com uma quebra de 23,58%, e de Nicósia, com uma descida de 20,95%, pertencem à zona euro. Grécia e Chipre continuam sob resgate. A bolsa de Madrid, no quadro das principais economias da zona euro, revelou-se o ponto fraco.

Mas, em todos estes mercados, houve os que ganharam, mesmo num quadro global negativo. As maiores subidas verificaram-se na Venezuela, com o índice IBC de Caracas a disparar 278%, na China, com o índice composto de Shenzhen a ganhar cerca de 64%, e na Argentina com o índice Merval de Buenos Aires a subir 36%. Nas economias desenvolvidas, os cinco índices com subidas maiores foram o MIB de Milão (12,66%), Dax de Frankfurt (9,56%), Cac 40 de Paris (9,47%), Nikkei 225 de Tóquio (9,07%) e Nasdaq de Nova Iorque (5,07%).

Os BRIC ficaram divididos a meio: Brasil e Índia registaram perdas nas bolsas, enquanto China e Rússia viram os seus principais índices subir, apesar de um crash nas duas bolsas chinesas em agosto e de um impacto negativo fortíssimo da quebra do preço do petróleo na economia russa.

Apesar de uma viragem da política monetária norte-americana, anunciada com tempo, no sentido do aumento das taxas de juro do banco central em direção a níveis mais próximos do “normal” e da continuação de programas de alívio monetário na Zona Euro, no Japão e no Reino Unido, as bolsas mundiais não escaparam, este ano, ao vermelho. A crise bolsista chinesa em agosto e o desapontamento dos mercados financeiros com o pacote de mais estímulos monetários para a zona euro anunciado em dezembro pela equipa de Mario Draghi no Banco Central Europeu (BCE) deixaram pegadas na trajetória bolsista descendente de 2015.

Euro desvalorizou mais de 5% em relação às divisas dos parceiros

O euro fechou o ano a valer 1,0887 dólares, depois de uma desvalorização de 10,33%. Não chegou ainda à paridade com a nota verde, como muitos analistas esperavam.

Face ao cabaz de divisas dos 19 principais parceiros comerciais da zona euro, a moeda única caiu 5,6% em 2015, segundo a variação da taxa de câmbio nominal diária efetiva publicada pelo BCE. Atingiu a 15 de abril do ano que findou um ponto máximo de desvalorização face às divisas dos parceiros no atual ciclo descendente do euro desde dezembro de 2008.

Os principais mercados emergentes e de fronteira, em que se acentuou a desvalorização face ao dólar, foram seis no ano que findou: peso argentino (quase 52%); real brasileiro (mais de 47%); rand sul-africano (mais de 34%); rublo russo (29,7%); e ringgits malaio (22,8%).

No caso do peso argentino, o governo do novo presidente Mauricio Macri decidiu, a 17 de dezembro, uma desvalorização abrupta de 30% face ao dólar.

Nas economias desenvolvidas, o dólar canadiano desvalorizou-se 19,3% face ao dólar do vizinho do sul.

Quebra dos preços das matérias-primas acentuou-se

Os mercados financeiros ficaram manifestamente marcados este ano pela aceleração da queda dos preços das matérias-primas. O índice global da Bloomberg para as commodities caiu 24,7% em 2015 e acumula uma quebra de 55% desde o pico do ciclo em 22 de abril de 2011. Os dois outros índices de matérias-primas vão na mesma direção. O índice CRB da Reuters perdeu este ano 23,95% e acumula uma queda de 58,5% desde 2011. O índice S&P GSCI recuou 33,44% este ano e acumula uma perda de 69% desde 2011.

No conjunto deste mercado, em 2015, cinco matérias-primas destacaram-se pela negativa registando as maiores quedas de preços: níquel, com uma quebra superior a 40%, óleo de soja, gasolina e as duas variedades de crude (Brent e WTI) com reduções superiores a 29%. Em sentido oposto, subiram os preços de quatro matérias-primas: cacau, açúcar, algodão e arroz em casca.

Contudo, a quebra mais mediática é a do preço do petróleo, com um impacto muito mais marcante nas economias exportadoras que dele dependem umbilicalmente e na evolução da inflação para níveis baixos, próximos de 0%, sobretudo nas economias desenvolvidas. O preço do barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, fechou o ano em 37,61 dólares, registando uma queda de mais de 33% em relação ao final de 2014. O preço do barril WTI, a variedade norte-americana, encerrou o ano em 37,08 dólares, registando uma quebra de quase 30% em relação ao final de 2014.

Em dezembro, os preços do Brent e do WTI chegaram a mínimos de sete anos, no patamar dos 35 e 34 dólares respetivamente. A decisão no início de dezembro por parte do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em não cortar o teto oficial de produção diária acelerou o processo de descida do preço do ouro negro no quadro de uma perceção generalizada de que o atual excedente na oferta se vai prolongar até “tardiamente em 2016”, segundo a Agência Internacional de Energia.

  • Xangai e Sidney fecharam com quedas e Hong Kong registou subida. Preço do petróleo está sem alteração depois das quebras de quarta-feira

  • Na última sessão do ano, as bolsas de Amesterdão, Londres, Madrid e Paris encerraram com perdas. O índice geral da Bolsa de Lisboa fechou ligeiramente acima da linha de água. Cinco das principais bolsas europeias estiveram fechadas esta quinta-feira. Trajetórias divergentes em 2015

  • Portugal foi terceiro na descida de juros e do prémio de risco entre os periféricos. Espanha registou o pior desempenho. Grécia viu a rentabilidade anual da sua dívida disparar enquanto no resto dos periféricos e da zona euro caiu a pique. BCE gerou mínimos em março e contágio grego provocou máximos do ano