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Dívida portuguesa em 2015. Juros a 10 anos ficaram em 2,5%

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Portugal foi terceiro na descida de juros e do prémio de risco entre os periféricos. Espanha registou o pior desempenho. Grécia viu a rentabilidade anual da sua dívida disparar enquanto no resto dos periféricos e da zona euro caiu a pique. BCE gerou mínimos em março e contágio grego provocou máximos do ano

Jorge Nascimento Rodrigues

O ano de 2015 correu bem para o desempenho de Portugal no mercado da dívida.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, desceram, no mercado secundário, de 2,69% no final de 2014 para 2,54% no final de 2015, uma redução de 13 pontos base. Em meados de março chegaram a descer para um mínimo histórico de 1,5% em virtude do efeito imediato do lançamento do programa de compra de dívida pública no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE).

A trajetória descendente das yields da dívida portuguesa só foi afetada com maior significado aquando da crise grega no verão. O máximo do ano registou-se a 15 de junho com as yields das OT a 10 anos a subirem para 3,27%, um nível que já não se verificava desde o princípio de novembro de 2014. O chumbo do governo da coligação PàF e a passagem do governo chefiado por António Costa não chegaram a provocar uma subida para os 3% em novembro. O impacto negativo dos resultados das eleições legislativas em Espanha em dezembro também não provocou um contágio que alterasse a trajetória.

O prémio de risco da dívida portuguesa desceu 24 pontos base fixando-se, no final de 2015, em 190,6 pontos base, o equivalente a um diferencial de 1,9 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. O que não correu bem para quem detém a dívida obrigacionista portuguesa foi a queda a pique da rentabilidade anual. O retorno anual caiu de 22,07% no final de 2014 para 3,78% no final de 2015, segundo o índice da Bloomberg (Bloomberg Global Benchmark Bond Indexes). Este nível de retorno é muito superior ao retorno médio anual do conjunto da dívida obrigacionista da zona euro que fechou em 1,7%.

Há que ter em conta que os atuais baixos níveis das yields das obrigações no mercado secundário e das taxas de remuneração pagas aos investidores nas emissões de dívida do Estado português no mercado primário devem-se ao programa de intervenção do BCE. Como o Banco de Portugal sublinhou recentemente, estimava-se, para a situação em outubro, que os juros da dívida a 2 e 10 anos estariam 2,5 pontos percentuais abaixo do que seria “normal”, se não houvesse a intervenção no mercado da dívida pelo banco chefiado por Mario Draghi.

Entre operações sindicadas e leilões, Portugal colocou em 2015 dívida obrigacionista a vencer em 2020, 2021, 2022, 2025, 2037 e 2045. No caso das seis operações com a nova linha de OT a 10 anos, a evolução da taxa média de remuneração dos investidores que compraram esta dívida é um bom exemplo das flutuações ao longo do ano deste prazo de referência: começou por 2,92% na sindicação a 13 de janeiro, passou por 2,51% a 11 de fevereiro, 2,04% - a mais baixa - a 25 de fevereiro, 2,18% a 29 de abril, 2,3975% a 14 de outubro e 2,494% a 25 de novembro.

Em termos comparativos com os restantes periféricos, Portugal ficou abaixo do desempenho da Grécia e de Itália na descida das yields das obrigações a 10 anos e do prémio de risco e no retorno anual da dívida obrigacionista. Mas ficou acima do desempenho da Irlanda e muito acima do de Espanha.

O melhor e o pior desempenho

O pior desempenho nos periféricos registou-se, de facto, com Espanha. As yields das obrigações espanholas a 10 anos subiram 17 pontos base, ao contrário da tendência de descida nos restantes periféricos. O custo de financiamento passou de 1,61% no final de 2014 para 1,78% no final de 2015. O prémio de risco da dívida espanhola subiu oito pontos base para fechar 2015 em 114,7 pontos base (o equivalente a cerca de 1,15 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã). O retorno anual da dívida obrigacionista espanhola foi o que mais caiu entre os periféricos, passando de 16,66% no final de 2014 para 1,57% no final de 2015, ficando abaixo do retorno médio para o conjunto da zona euro.

Apesar da crise aguda que a Grécia atravessou até ao verão, a sua dívida obrigacionista acabou por ter um bom desempenho no mercado secundário e em termos de retorno anual. As yields das obrigações gregas a 10 anos foram as que mais desceram nos periféricos no balanço do ano. Caíram mais de 1 ponto percentual entre dezembro de 2014 e dezembro de 2015. O prémio de risco reduziu-se em 135 pontos base, o equivalente a 1,35 pontos percentuais, naquele período.

Os níveis de yields das obrigações gregas a 10 anos continuam, no entanto, muito elevados, tendo fechado 2015 em 8,35%, depois de uma trajetória atribulada em que chegaram a máximos do ano em mais de 19% a 8 de julho. A assinatura do terceiro resgate, a eliminação do risco de bancarrota em relação aos credores oficiais e a retirada da agenda do Eurogrupo do projeto de saída (alegadamente temporária) do euro (Grexit) produziram uma redução de mais de 11 pontos percentuais em menos de um semestre. Mesmo sem beneficiar do programa de compra de dívida pública pelo BCE, que excluiu a Grécia logo em março aquando do lançamento.

O retorno anual da dívida grega teve um disparo, subiu de 0,14% no final de 2014 para 21,06% no final de 2015, liderando a escala de rentabilidades anuais nos periféricos e mesmo em toda a zona euro.

A rentabilidade anual da dívida obrigacionista alemã caiu a pique de 10,31% no final de 2014 para 0,35% no final de 2015.

Juros negativos em 11 países do euro

Um outro traço marcante de 2015 foi a maré de yields negativas na dívida de curto prazo e obrigacionista emitida por membros da zona euro. O que significa que os investidores pagam aos emitentes para poderem deter em carteira este tipo de dívida em vez de serem remunerados positivamente.

Nesta última sessão do ano são11 os países do euro que registam yields negativas em dívida no mercado secundário, segundo dados da Investing.com. Alemanha, Áustria e Holanda registam uma amplitude de prazos maior, incluindo dívida a 5 anos com yields negativas. A Bélgica, Finlândia e França apresentam remunerações negativas até 4 anos inclusive. No caso da Irlanda estendem-se de 1 a 3 anos; para a Eslováquia, a 2 anos; para Itália e Espanha até 12 meses inclusive. No caso de Portugal, apenas no prazo a 6 meses.

Fora da zona da moeda única, a Suíça lidera à escala mundial com yields negativas até ao prazo de 10 anos inclusive. A dívida sueca até 2 anos inclusive e a dívida dinamarquesa até 3 anos inclusive também registam yields negativas.

Na Europa consolidaram-se duas situações excecionais. Por um lado, os investidores "pagam" para deter dívida em certos prazos, que, no caso da Suíça, se estende até ao longo prazo (10 anos). Por outro lado, os bancos centrais fixaram taxas negativas de remuneração de depósitos dos bancos comerciais nos seus cofres. O Banco Central Europeu "cobra" 0,3%; os bancos centrais da Suíça e da Dinamarca "cobram" 0,75%; e o banco central da Suécia fixou o recorde de "cobrar" 1,12%.

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