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Oito anos de escândalos financeiros

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BANCA. Ricardo Salgado é o arguido mais mediático na investigação ao universo Espírito Santo

luís barra

BCP, 2007 O BCP foi acusado de financiar encapotadamente os seus próprios aumentos de capital, em 2000 e 2001, através de crédito dado a sociedades offshore que compraram ações do banco. O Ministério Público abriu investigação e acusou ex-administradores do banco, incluindo Jorge Jardim Gonçalves, de crime de manipulação do mercado e falsificação de documentos. Os processos estão ainda em recurso. Outra acusação inicial, a de burla, foi retirada. Entretanto, a estrutura de controlo do banco mudou, com a entrada de acionistas de peso, como a Sonangol, e o Estado foi chamado a financiar o banco. As ações valiam em 2007 mais 78 vezes do que valem hoje. Desde 2008 houve sete aumentos de capital.

BPN, 2008 Rumores e desentendimentos entre acionistas, com um bloco a contestar o fundador do banco, José Oliveira Costa, aceleraram as investigações a operações suspeitas, pondo a nu uma teia de cumplicidades como nunca se tinha visto no Portugal democrático. O BPN foi nacionalizado em novembro de 2008 e já custou ao Estado €4,5 mil milhões, mas há ainda €3,2 mil milhões de créditos tóxicos por cobrar, que foram colocados num veículo do Estado quando o banco foi vendido ao luso-angolano BIC, em dezembro de 2011. Muitos processos estão ainda em aberto, com acusações de burla qualificada, abuso de confiança, branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada, aquisição ilícita de ações e falsificação de documentos.

BPP, 2008 Um mês depois da nacionalização do BPN, o BPP precisou de uma injeção de €450 milhões, tendo sido formado um sindicato bancário com aval do Estado. O presidente do banco, João Rendeiro, foi afastado do banco e após várias tentativas de venda, o BPP entrou em processo de liquidação, situação em que ainda se encontra. Na mesma altura em que Rendeiro pediu dinheiro às Finanças e ao Banco de Portugal, lançou um livro com o nome “História de um banqueiro de sucesso”. Foi acusado de burla qualificada – de que seria absolvido em junho deste ano em primeira instância – e de falência dolosa.

BES, 2014 No verão de 2014, o grupo com mais de 150 anos de existência ruiu, foi intervencionado e partido em banco bom e banco mau. As empresas não financeiras do grupo entraram em insolvência e os impactos atingiram a Portugal Telecom. O Estado, através do Fundo de Resolução e da banca, injetou no banco ‘bom’ — o Novo Banco — €4,9 mil milhões. Ricardo Salgado está a ser investigado pelo Ministério Público por alegados crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais, burla qualificada, falsificação de documentos, falsificação informática, corrupção no sector privado e abuso de confiança. Fornecedores do GES e clientes de papel comercial tiveram perdas. Os prejuízos para o Estado da derrocada do Grupo Espírito Santo, e a forma como eles serão distribuídos, ficará mais claro quando o Novo Banco for vendido.

BANIF, 2015 A intervenção foi anterior, quando o Estado nacionalizou parte do banco por 700 milhões e emprestou mais 400 milhões, de que ficariam por pagar 125 milhões. Mas foi no final de dezembro de 2015 que se deu a resolução, que acabou num custo total para o Estado próximo dos três mil milhões de euros, parte do qual poderá ainda ser recebido com vendas de ativos. O Banif desapareceu, foi criado um "banco mau", a sua rede de balcões e parte dos trabalhadores passaram para o Santander.