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O aviso de Lagarde: crescimento será dececionante e desigual em 2016

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A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional alerta para as fraquezas do sector financeiro à escala mundial e para os riscos que estão a aumentar para as economias emergentes num artigo publicado no jornal alemão Handelsblatt desta quarta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

"Em muitos países o setor financeiro ainda tem fraquezas e nos mercados emergentes os riscos financeiros estão a aumentar. Isto implica que o crescimento global será dececionante e desigual em 2016", escreveu Christine Lagarde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), num artigo de opinião publicado esta quarta-feira no jornal financeiro alemão Handelsblatt.

A diretora-geral do FMI está "preocupada" com a "absorção de choques" pelas economias emergentes e mesmo por muitas economias desenvolvidas. Segundo Lagarde, o próximo ano vai ser marcado por dois factores centrais que geram incerteza e aumentam os riscos de volatilidade nos mercados financeiros: o prosseguimento da subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central, e o abrandamento da economia chinesa e o seu impacto na procura mundial.

A continuação da subida das taxas de juro pela Fed, com uma eventual nova decisão ainda no final do primeiro trimestre de 2016, na reunião de 16 de março, alimentará a alta do dólar e o impacto negativo que um dólar mais forte tem em todo o quadro de economias dolarizadas e empresas endividadas em dólares e no preço em dólares das matérias-primas. Apesar do FMI reconhecer que o processo de subida dos juros pelo banco central norte-americano é "necessário", o seu "impacto" poderá vir a atingir também o sistema bancário e a dívida soberana em muitas partes do mundo, alerta a diretora-geral.

Recorde-se que o FMI prevê uma subida da taxa de crescimento mundial de 3,1% este ano para 3,6% em 2016, com alguma aceleração do crescimento nos EUA (de 2,6% para 2,8%), na zona euro (de 1,5% para 1,6%), no Japão (de 0,6% para 1%) e nas economias emergentes e em desenvolvimento (de 3,96% para 4,5%), segundo as projeções de outubro do seu World Economic Outlook.

A principal desaceleração pode registar-se na China, a segunda maior economia do mundo, com a descida da taxa de crescimento de 6,8% em 2015 para 6,3% no ano seguinte, ficando abaixo da meta política de 6,5% anual em média definida por Pequim para o quinquénio de 2016 a 2020. Esta desaceleração é, também, "necessária e saudável", em virtude da transição que a economia chinesa está a realizar na direção de um novo modelo de crescimento, refere a diretora-geral do FMI.

O problema estará, portanto na "gestão" destas duas mudanças, do aumento das taxas de juro da Fed e da transição de modelo económico na China. "Têm de ser feitas do modo mais eficiente possível e sem problemas", conclui Lagarde.

O contexto "dececionante e desigual" mundial implicará, também, que mesmo entre os países desenvolvidos, "haverá necessidade de prosseguir uma política monetária de alívio, com exceção dos EUA e possivelmente do Reino Unido".