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Bolsas. Ásia fecha “mista”. Europa abre no vermelho

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Tóquio, Xangai e Sidney fecham com ganhos, mas Hong Kong, Seul e Taipé encerram com perdas. Londres e Paris lideram quedas na Europa. Lisboa em linha com tendência negativa. Preços do petróleo regressam às descidas

Jorge Nascimento Rodrigues

A “região” da Ásia Pacífico fechou esta quarta-feira com as bolsas em terreno “misto”. Tóquio, Sidney e Xangai encerraram as vésperas de fim de ano com ganhos, mas Hong Kong, Seul e Taipé viram os índices bolsistas recuar. Nas duas bolsas chinesas, Xangai e Shenzhen, houve uma recuperação na sessão da tarde que permitiu um fecho claramente positivo.

Em virtude do peso mundial das bolsas de Tóquio e Xangai em termos de capitalização, o índice MSCI para a região da Ásia Pacífico fecha em terreno positivo pelo terceiro dia consecutivo.

Na Europa, a sessão de quarta-feira iniciou-se no vermelho. As bolsas de Londres e Paris lideravam as quedas e o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro), tendo aberto acima da linha de água, rapidamente virou para terreno negativo. Os índices PSI 20, da bolsa de Lisboa, e Ibex 35, da bolsa de Madrid, abriram em linha com o sentido negativo europeu. O mercado bolsista europeu inverteu a trajetória do dia anterior. Na terça-feira, o índice MSCI fechou com um ganho de 0,8%. Zurique escapa hoje à maré vermelha.

Com o fecho das principais bolsas na zona euro amanhã, final do ano, a liquidez é hoje reduzida nos mercados financeiros europeus, o que poderá gerar "variações exageradas", alerta a Investing.com. A bolsa de Lisboa estará encerrada no último dia do ano e a de Madrid fechará dia 31 ao final da sessão da manhã. O índice PSI 20, de Lisboa, poderá fechar o ano com um ganho superior a 10%.

Investidores seguem situação em Espanha

Os analistas continuam a seguir com atenção a situação em Espanha, onde o segundo partido mais votado nas eleições de 20 de dezembro, o PSOE, optou, esta semana, por chumbar, em janeiro, um governo de iniciativa do Partido Popular, o partido mais votado.

A opção pelo chumbo, rejeitando a abstenção, inviabiliza a formação de um governo chefiado pelo primeiro-ministro incumbente Mariano Rajoy, mesmo com maioria simples. Também não está, ainda, assegurado um governo alternativo do PSOE que conquiste uma maioria simples no Congresso dos Deputados.

Deste modo, o cenário de "instabilidade política" predomina no "sentimento" dos analistas e dos investidores financeiros. Os pesos pesados da bolsa madrilena esperavam uma maioria absoluta do PP e do Ciudadanos saída de eleições e, após conhecidos os resultados, apostavam numa abstenção do PSOE ou mesmo num compromisso entre o PSOE e as bancadas à sua direita no Congresso.

Segundo o diário económico espanhol “Negócios” refere hoje, “a fuga de capitais em 2015 tornou-se mais palpável. Saíram de Espanha 41 mil milhões de euros entre janeiro e outubro, face a 17,1 mil milhões no mesmo período do ano passado”. O diário atribui o salto na saída de capitais ao “ano eleitoral”.

Os futuros em Wall Street estão, também, em terreno negativo. As bolsas de Nova Iorque só abrem pelas 14h30 (hora de Portugal).

Para a Ásia Pacífico, o ano bolsista de 2015 já terminou para Tóquio, que amanhã goza um feriado bancário. Em 2015, o índice Nikkei 225 da bolsa de Tóquio ganhou 9%.

Preço do petróleo regressa às quedas

A marcar os mercados financeiros está o regresso do preço do petróleo a uma trajetória de descida, depois de ter subido no dia anterior mais de 2% para o Brent, a variedade europeia de referência internacional, e quase 1,5% para o WTI, a variedade de referência norte-americana.

No fecho da sessão asiática desta quarta-feira, o Brent descia 0,5% para 37,42 dólares por barril e o WTI caía 1,7% para 37,22 dólares por barril e as trajetórias indicam, agora, prováveis descidas acentuadas durante a sessão europeia.

A volatilidade tem sido uma constante esta semana no mercado do ouro negro. O preço do crude desceu na segunda-feira, com uma quebra de 3%, para subir na terça-feira, sem recuperar as quedas do dia anterior, e voltar a cair na quarta-feira.

O quadro fundamental do mercado petrolífero não se alterou, caracterizado por um excesso de oferta que, segundo um aviso recente da Agência Internacional de Energia, poderá perdurar até “tardiamente em 2016”. Esta semana, o Irão anunciou que injetará na exportação mais 500 mil barris por dia logo após o levantamento das sanções e que prevê aumentar a oferta em 1 milhão de barris nos próximos seis meses. Hoje, o ministro dos petróleos saudita Ali al-Naimi disse que o seu país não vai alterar a política de produção do crude, que tem conduzido a uma ultrapassagem das anteriores quotas oficiais.