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Prémio de risco da dívida portuguesa desceu

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Apesar de uma subida nos juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos no mercado secundário da dívida soberana, o prémio de risco e o custo de segurar contra o risco de bancarrota diminuíram para Portugal. Espanha registou o maior aumento do prémio de risco na zona euro

Jorge Nascimento Rodrigues

A semana terminou com um abrandamento do “contágio” espanhol no mercado da dívida soberana na zona euro.

As yields da dívida obrigacionista subiram no mercado secundário da dívida para os periféricos e para os emitentes do “centro” do espaço da moeda única europeia ao longo da semana. Mas menos do que se temia com as subidas registadas na segunda-feira de manhã, como reação aos resultados inconclusivos das eleições legislativas de domingo em Espanha.

Apesar das yields da dívida portuguesa a 10 anos terem subido ao longo da semana, o prémio de risco do país desceu, mas mantem-se perto de 2 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. A razão da descida prende-se com o facto do custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência, ter subido mais durante a semana.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos subiram seis pontos base ao longo da semana no mercado secundário, fechando na sexta-feira em 2,56%, dentro do intervalo entre 2,43% e 2,61% em que se têm mantido desde 3 de dezembro, após a reação de “desapontamento” dos mercados financeiros ao novo pacote de estímulos do Banco Central Europeu.

Maior subida do prémio de risco em Espanha

As maiores subidas durante a semana, no prazo de referência a 10 anos, verificaram-se com as yields das obrigações irlandesas (mais nove pontos base), italianas, francesas e alemãs (mais oito pontos base em cada caso). Apesar do disparo na segunda-feira, as yields das obrigações espanholas, naquele prazo, acabaram por subir apenas sete pontos base até final da semana.

O pior desempenho em termos de prémio de risco registou-se com a dívida espanhola. O risco de Espanha subiu nove pontos base, aumentando para 124 pontos base, o equivalente a um diferencial de 1,24 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

Apesar da subida das yields para as OT a 10 anos, o prémio de risco da dívida portuguesa desceu dois pontos base, uma redução que contrastou com as subidas para a dívida espanhola, italiana e irlandesa. O prémio de risco da dívida grega manteve-se inalterável.

No mercado do preço dos contratos para cobertura do risco de incumprimento da dívida soberana num horizonte de cinco anos, designados tecnicamente como credit defaut swaps (acrónimo cds), a situação agravou-se, durante a semana, para a Grécia e Espanha. No caso de Espanha, o custo dos cds subiu de 87 para 90,5 pontos base (neste caso, isto significa que o comprador do cds passou a pagar 0,9% do valor a cobrir).

Para Portugal, o preço dos cds desceu de 172,495 para 170 pontos base entre 18 e 24 de dezembro. Neste último dia, o comprador do cds passou a pagar 1,7% do valor a cobrir. O custo dos cds para Irlanda e Itália também baixou.

A rentabilidade em dezembro da dívida soberana grega, espanhola e alemã agravou-se significativamente durante a semana. A média europeia do retorno da dívida soberana em dezembro está em -1%, um ligeiro agravamento em relação a -0,7% registado a 18 de dezembro, segundo dados do índice da Bloomberg para a dívida soberana. No caso da Grécia o retorno mensal agravou-se meio ponto percentual; no caso de Espanha 46 décimas e no caso da Alemanha 34 décimas. A Grécia lidera com uma rentabilidade negativa mensal de -3,5%, seguida de -1,54% para Espanha.

O retorno negativo da dívida alemã em dezembro agravou-se de -0,52% para -0,86% entre 18 e 24 de dezembro. No caso de Portugal, o retorno negativo em dezembro agravou-se ligeiramente, de -1,04% para -1,05% naquele período referido. Maior agravamento registou-se para a rentabilidade mensal da dívida italiana que passou de -0,96% para -1,07%.

Espanha sofreu, esta semana que findou, o impacto negativo dos resultados inconclusivos das eleições legislativas de 20 de dezembro. A primeira ronda para formação de um novo governo inicia-se a 13 de janeiro. O sentido das votações no Congresso dos Deputados em relação à formação de um governo de maioria simples depende, em larga medida, da decisão que for tomada na segunda-feira no Comité Federal do PSOE, o segundo partido com representação parlamentar.

  • Na sexta-feira apenas algumas bolsas na Ásia e nas economias emergentes estiveram abertas. A semana, com feriados e sessões de meio-dia, saldou-se por ganhos de 2,4% à escala mundial. Mas dezembro continua no vermelho, com perdas de 1,2%