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Portugueses passam noite de Natal em hotéis e ajudam a ano recorde

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Pousada de Lisboa está com 70% de ocupação a 24 de dezembro e totalmente cheia na passagem do ano

Pedro Sampayo Ribeiro

Jantares de consoada disparam nos hotéis nacionais, que vão fechar 2015 em alta e estão otimistas para 2016. Crescimento vem sobretudo de portugueses e espanhóis

É um verdadeiro fenómeno em 2015 e está a criar um novo pico no turismo: cada vez mais portugueses optam por fazer a ceia de Natal em hotéis, o que este ano começa a ganhar expressão em volume de dormidas.

“A tradição já não é o que era, e está a quebrar-se o tabu que o Natal se passa em casa”, constata Cristina Siza Vieira, diretora-executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), frisando que os portugueses “não prescindem de festejar o Natal como um evento familiar, a forma como isso se vive é que se está a alterar”. O negócio dos jantares de consoada a 24 de dezembro e dos almoços de Natal no dia 25 tem crescido nos hotéis, o que se explica, segundo a diretora da AHP, por “tendências demográficas, o facto de haver famílias mais alargadas e envelhecidas, com vontade de viver esse momento juntos sem o stresse de preparar as ceias”. Mas também “sentimos que isso evoluiu para lifestyle, há todo um ambiente nos hotéis que permite receber famílias muito grandes, as casas já não estão preparadas para tal e os hotéis foram ocupando esse espaço”.

Hotéis do Porto a subir 30% no final de dezembro

Em 2015, o mês de dezembro perfila-se de crescimento para a hotelaria ajudado pelas quadras festivas, o que é a ‘cereja em cima do bolo’ a fechar um ano já de si muito positivo. Segundo um inquérito da AHP, a maioria dos hotéis de norte a sul espera aumentos de dois dígitos em dezembro, à exceção do Alentejo, a única região ‘pessimista’ a prever um final do ano mais fraco do que 2014. Do lado dos otimistas, como Lisboa, Algarve, Madeira ou Açores, o ‘campeão’ é o Porto, onde 75% dos hotéis esperam mais 30% de ocupação neste período. “Vamos ter um réveillon mais forte no Porto”, garante Cristina Siza Vieira. O crescimento nos hotéis em dezembro vem sobretudo de portugueses e espanhóis, mas também de franceses, ingleses e outros mercados externos.

Nas Pousadas de Portugal, este dezembro está ao rubro. “Nós já tínhamos pessoas a fazer os jantares de consoada e também os almoços do dia de Natal, era a tendência dos últimos anos. Mas este ano ficam mesmo a dormir, há unidades onde estamos praticamente cheios no dia 24”, adianta Miguel Velez, administrador das Pousadas de Portugal, referindo que as unidades da Serra da Estrela e Gerês estão com ocupação a 92%, Tavira a 97%, Vila Viçosa e Palmela a 85%. “Era impensável há uns anos ter hotéis com 90% de ocupação na noite de Natal”, faz notar.

Entre a clientela natalícia das Pousadas, “há um bocadinho de tudo, chega ao ponto de haver pessoas sozinhas que vão passar o Natal no hotel. Mas também temos famílias no sentido alargado com avós, pais e 11 netos. É um fenómeno engraçado e, para aquilo que se consegue desfrutar num hotel, acaba por ser uma escolha menos dispendiosa e que não dá trabalho”. Já havia os clientes britânicos ou americanos, habituados a passar o Natal fora de casa. “Mas o povo português não tinha esse hábito”, nota. “Este ano a novidade mais forte é o crescimento das taxas de ocupação, com portugueses a passar a noite de Natal ou estrangeiros que escolhem Portugal para o fazer”.

Para a passagem do ano, 19 pousadas estão já completamente cheias, destacando-se a de Lisboa, que abriu em junho e está a ser um sucesso de vendas. “Tivemos três meses com taxas de ocupação superiores a 90%, e estamos a falar de preços médios das diárias acima dos €200”, frisa Miguel Velez. Com a Pousada de Lisboa, o resultado bruto operacional da rede subiu 76% até setembro, com as receitas a ultrapassar €4 milhões.

Reservas feitas mais cedo

Praticamente cheios para jantares e almoços de Natal, estão também os hotéis Pestana Collection, em Lisboa, Cascais e Porto. “Esperamos que a próxima tendência seja o mercado nacional também pernoitar nesse período, o que ainda não é evidente, ficando-se em geral pela procura das refeições natalícias”, salienta o diretor de operações, Mário Candeias.

Nos hotéis Vila Galé também este ano é notório o aumento de gente a cear na consoada, “coisa que tipicamente não existia na hotelaria”, refere Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da rede. O Vila Galé da Madeira vai ter 150 pessoas a jantar no dia 24 e a maioria fica alojada, o que não se verifica nas restantes unidades do grupo. Já no réveillon “temos os hotéis praticamente todos cheios e a servir 200 a 300 refeições cada”, notando-se que “as reservas começaram mais cedo, já em outubro, e costumavam ser em cima da hora”.

Mesmo com o hotel fechado para obras, o resort Pine Cliffs no Algarve está com mais clientes no Natal e ano novo. “A maioria são ingleses e irlandeses, vêm de ano para ano em feriazinhas de uma a duas semanas e aproveitam para passar esta época festiva”, explica Soraia Neves, do marketing. Não faltará animação com o Pai Natal e os duendes, mas em 2016, com “o hotel a 100%” e o crescimento turístico previsto, a festa no Algarve promete.