Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Mortágua: “O custo de mercado para a saída limpa está pela hora da morte, custa €3 mil milhões”

  • 333

Luís Barra

Deputada do BE reafirma que “houve dolo na ação” do anterior governo face ao destino dado ao Banif e a “inação” saiu cara ao país. O dinheiro público, disse ainda, está “a ser usado como máquina de reciclar bancos” e “entregá-los limpos aos privados”. “Ainda faltam bancos para reciclar

Crítica e dura com o Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, Mariana Mortágua não deixou de apontar responsabilidades a Bruxelas, durante a sua intervenção na Comissão Parlamentar de Inquérito de Orçamento e Finanças, onde Mário Centeno se deslocou esta terça-feira para explicar a resolução aplicada ao Banif. "O custo de mercado para a saída limpa está pela hora da morte, custa 3 mil milhões de euros", afirmou a deputada do Bloco de Esquerda.

"O anterior governo preparava-se para entregar o Banif a baixo preço ou a entregar o banco em 2016 através de uma resolução comprometendo a garantia dada os depósitos", sublinhou. Mas também lança farpas ao atual. "A negligência do anterior Governo (na solução Banif) não se estende ao atual, mas isso não torna a proposta deste governo mais aceitável, foram precisos mais 3 mil milhões de euros para salvar um banco. Continua a ser usado o dinheiro dos contribuintes para que o Banif possa ficar no Santander por 150 milhões de euros".

Mariana Mortágua defendeu que o Bloco de Esquerda consideraria uma "melhor opção" entregar os ativos bons do Banif à Caixa. O Governo de António Costa tentou negociar com Bruxelas a integração no banco público, mas não teve sucesso. As regras não o permitem e a Direção-Geral da Concorrência da União Europeia não cedeu.

Estado com máquina de lavar bancos

"O dinheiro público está a ser utilizado como máquina para reciclar bancos e entregá-los limpos ao sistema bancário. E ainda faltam bancos para reciclar", afirmou Mariana Mortágua. A deputada do Bloco reforça a ideia dizendo que o dinheiro dos contribuintes "é o detergente desta máquina de lavar".

A deputada do Bloco diz ainda que o problema do sistema financeiro português não está resolvido. "Não acreditamos que o Banif seja o último (banco a salvar). Como não acreditamos que o BPN, o BPP e o BES eram os últimos bancos a serem resgatados. Não foi por causa do BE acreditar nisso que aconteceu o que aconteceu".