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Maria Luís Albuquerque. “Há claramente um problema de supervisão”

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Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, diz não ter “razão nenhuma para tirar a confiança ao governador do Banco de Portugal”, afimando não ter “concretamente todo o conhecimento sobre esta matéria”

A ex-ministra das Finanças defendeu esta segunda-feira, em entrevista no telejornal da TVI, que existe “claramente um problema de supervisão”, acrescentando que o problema “deve mais uma vez ser analisado”.

Porém, Maria Luís Albuquerque diz não ter “razão nenhuma para tirar a confiança ao governador do Banco de Portugal”, afirmando não ter “concretamente todo o conhecimento sobre esta matéria”.

“Tenho dúvidas sobre os montantes, sobre a decisão de repartição de custos entre o sistema financeiro e os contribuintes“, afirma, a propósito dos comunicados do Banco de Portugal e da Comissão Europeia sobre o Banif. O comunicado do Banco de Portugal fala em 2,25 mil milhões de euros de financiamento público e 489 milhões da banca para o Fundo de Resolução.

O comunicado da Comissão Europeia fala num financiamento público até 3 mil milhões de euros. A Comissão Europeia, referiu Maria Luís Albuquerque, “até fala numa garantia ao Santander”.

"Não entendo as divergências entre o Banco de Portugal, o governo e a Comissão Europeia nas declarações que fizeram, com dados que são diferentes. Espero que isso seja esclarecido".

Por isso, também defende que haja uma comissão de inquérito ao Banif para apurar as responsabilidades em cada um dos momentos, desde que o Banif foi capitalizado em janeiro de 2013.

Recorde-se que na conferência do Conselho de Ministros, Mário Centeno falou também no montante de 2,25 mil milhões de euros, dos quais 1016 milhões para capitalizar o Banif e 750 milhões de garantia para o fundo que será criado; e ainda dos 489 milhões que a banca terá de injetar. Era relativamente a estes montantes que Maria Luís colocava algumas dúvidas.

Quanto à resolução do Banif, a ex-ministra das Finanças sublinha que “nenhum Governo escolhe o momento de resolução de um banco”

“O ideal para todos, supervisão, Governo e contribuintes é que não tenha de haver resoluções. Esse é o trabalho contínuo da supervisão” sublinhou.

“O sistema financeiro português hoje está melhor do que estava, mas é preciso fazer mais. Os bancos têm de tornar-se mais rentáveis para terem mais músculo”.

Questionada sobre quais os problemas que persistem, Maria Luís Albuquerque diz que há problemas em três dimensões: regras, gestores e supervisão.