Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsa de Madrid abre a cair mais de 2%. Contágio espanhol nos juros da dívida

  • 333

As bolsas europeias abriram "mistas", com Madrid a liderar as quedas. No mercado secundário da dívida, a trajetória dos juros das obrigações é altista. Preço do Brent em novos mínimos

Jorge Nascimento Rodrigues

A Bolsa espanhola abriu esta segunda-feira com o índice Ibex 35 a cair 2,4%. Madrid lidera as quedas nas principais bolsas europeias. Na abertura da sessão de hoje apenas o índice Dax da Bolsa de Frankfurt estava ligeiramente acima da linha de água. Em Lisboa, o índice PSI 20 abriu negativo, a cair 0,5%. No entanto, ainda é cedo para se concluir sobre uma tendência para a sessão europeia, com analistas a referirem a possibilidade de uma dissociação entre Madrid e o resto da Europa.

A Ásia Pacífico fechou “mista”, com Tóquio a encerrar no vermelho e as restantes bolsas mais importantes da região a encerrarem em terreno positivo, com Xangai a liderar registando ganhos de 1,77%.

O preço do barril de petróleo de Brent cotava-se a 36,29 dólares, um novo mínimo desde dezembro de 2008, no fecho da sessão asiática. Registava uma descida de 1,6% em relação ao fecho de sexta-feira passada quando ficou abaixo de 37 dólares pela primeira vez este ano.

No mercado secundário da dívida, Espanha abriu com as yields em todos os prazos em alta, destacando-se os disparos a 6 e 12 meses (aumentos percentuais de três dígitos) nos bilhetes do Tesouro e subidas percentuais de dois dígitos nas obrigações espanholas (OE) com destaque para os prazos a 2 anos. No prazo de referência, a 10 anos, as yields das OE subiam 16 pontos base em relação ao fecho de sexta-feira passada; registam, agora, 1,87%.

A subida nas yields das OE destaca-se no quadro da dívida da zona euro no prazo de referência. As yields das obrigações italianas subiam sete pontos base, e as relativas às Obrigações do Tesouro português (OT) e irlandesas subiam seis pontos base. Apenas, as yields das obrigações gregas continuam em queda. As yields das OT a 10 anos registavam, na abertura, 2,56%.

Nos países do centro da zona euro, a subida das yields também se faz sentir, ainda que mais ligeira. As yields das Bunds, as obrigações alemãs, a 10 anos, subiam, na abertura, dois pontos base, para 0,57%. Parece estar a registar-se um “contágio” espanhol no mercado da dívida soberana da zona euro.

Os jornais financeiros sublinham, desde ontem, o significado dos resultados das eleições legislativas em Espanha, que decorreram no domingo. O partido do governo incumbente, o PP, foi o mais votado mas ficou a mais de meia centena de deputados para ter maioria absoluta e não se vislumbra fácil obter uma maioria simples numa segunda ronda de formação do governo. Os media financeiros apontavam, antes das eleições, para a possibilidade de uma coligação entre o PP e o partido Ciudadanos, mas a votação neste último ficou muito aquém das expetativas, situando-se em quarto lugar nas votações e nos deputados obtidos. O “Financial Times” referia ontem que a quarta maior economia da zona euro caminhava “para a confusão”. O Bank of America Merrill Lynch referia-se a um “soduku político”. Outros media económicos e financeiros falavam de “Espanha à italiana” (em virtude da fragmentação da representação no Congresso dos Deputados), de “incerteza total” e de “ingovernabilidade”.