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Banca paga €489 milhões para salvar Banif, contribuintes mais €1,7 mil milhões

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Tiago Miranda

Intervenção anunciada domingo agrava fatura da banca no Fundo de Resolução, que já estava em 4,5 mil milhões com o BES, para quase 5 mil milhões. Operações do Banif no exterior e créditos problemáticos ficarão no fundo a criar pelo Estado

A resolução e consequente venda do Banif terá um custo acrescido para os bancos do sistema, além do elevado custo para os contribuintes.O Fundo de Resolução terá de injectar 489 milhões de euros no Banif e este dinheiro soma aos 4,5 mil milhões de euros que já têm de pagar no âmbito da resolução do BES que deu origem ao Novo Banco.

O custo do resgate do BES foi financiado em 3,9 mil milhões pelo Estado com um empréstimo do Tesouro e em cerca de 600 milhões de crédito da banca. Só o restante saiu diretamente do Fundo de Resolução. A banca tem por isso de pagar ainda a fatia de leão da intervenção no BES (embora receba a parte dos empréstimos que fez) e tem agora uma fatura adicional de 489 milhões de euros.O pagamento será repartido por vários anos.

Os restantes 1776 milhões de euros da operação virão diretamente do Estado. A concretização financeira da operação em termos de contas públicas está esta manhã a ser definida em Conselho de Ministros. Esta fatia, a maior, não passa pelo Fundo de Resolução e não é imputada à banca, sendo por isso suportada pelos contribuintes.

Esta solução mistura o que aconteceu no caso BES/ Novo Banco e o que aconteceu no BPN. E agrava o custo para os contribuintes que tinham já injetado 700 milhões no capital do Banif em 2013 e perderam agora mais 125 milhões em dívida convertível que não chegou a ser paga. A 'conta' para os contribuintes está, assim, em 2,6 mil milhões de euros. Não se conhecem, para já, todos os detalhes da operação e o impacto que terá nas contas públicas deste ano.

Estado assume ativos tóxicos e operações no exterior

Ao todo, o Banif precisará de 2,255 milhões de euros para criar um veículo para acomodar os ativos e participações com que o Santander Totta não ficou, ou seja créditos problemáticos e as restantes participações do Banif no exterior. Entre as quais os bancos no Brasil, Cabo Verde, Malta (cuja venda já foi anunciada) e ainda os 49% da seguradora Açoreana. O Santander Totta compra apenas uma parte da atividade bancária do Banif, a parte 'boa' e a qual não implicará qualquer tipo de riscos no futuro para o banco espanhol.

Os restantes ativos passarão para o tal fundo a criar pelo Estado para venda posterior, no caso de participações e recuperação de créditos no caso dos ativos imobiliários. Um modelo semelhante do que aconteceu quando da venda do BPN ao angolano BIC, que agregou participações do ex-BPN como operações no exterior e créditos tóxicos.

O Estado controla 60,5% do Banif desde janeiro de 2013 e, no défice desse ano, foram levados os 700 milhões de euros que o Estado injectou no banco diretamente. A este montante há a somar os 125 milhões de euros de empéstimo que o Estado concedeu ao Banif e estava em incumprimento há um ano, os chamados CoCos. O Banif tinha já pago 275 milhões de euros do empréstimo original de 400 milhões de euros em CoCos.

Segundo apurou o Expresso apenas a operação do Banif nas Bahamas ficará por um período temporário nos ativos com que ficou o Santander Totta.