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Lidl investe €50 milhões em novas lojas

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Primeira loja portuguesa com “novo conceito” internacional do Lidl abriu na quinta-feira em Matosinhos

LUCILIA MONTEIRO

Empresa alemã é a mais recente cadeia a avançar em Portugal com a criação de “novos conceitos de loja”, depois dos avanços de Continente, Pingo Doce e Intermarché. Lidl vai reformular 25 lojas em 2016

Degustação de sushi, zonas de restauração ou cafetarias. Pizzas confecionadas no momento, recriação de mercados tradicionais ou semanas temáticas. Decorações renovadas, corredores mais amplos, prateleiras mais baixas, novas formas de pagamento. 2015 foi o ano que colocou definitivamente na agenda dos operadores de retalho a estratégia dos “novos conceitos de loja”, já abraçada por insígnias como o Continente, Pingo Doce ou Intermarché. Esta semana foi a vez de o Lidl anunciar a sua.

O grupo alemão de distribuição deu na quinta-feira, em Matosinhos, o primeiro passo numa estratégia que prevê o investimento de €50 milhões durante o próximo ano na reformulação de parte da sua atual rede de supermercados em Portugal. O investimento previsto contempla a renovação de cerca de 25 lojas e englobará, em seis desses estabelecimentos, a adoção de “um novo conceito de loja” que a empresa está a começar a adotar a nível internacional e que tem em Portugal um dos primeiros palcos.

O objetivo, explica fonte oficial da empresa, é “reforçar a mudança de posicionamento da marca” e afastar o Lidl “de forma inequívoca do conceito de hard-discount”. A próxima remodelação está já a decorrer na zona da grande Lisboa e tem “abertura prevista para fevereiro”.

À semelhança das estratégias dos seus concorrentes no mercado português, um dos objetivos centrais deste plano do Lidl é responder às novas exigências e hábitos de consumo dos clientes. A otimização do percurso de compra na loja ou a maior acessibilidade dos produtos são eixos centrais neste novo desenho de loja.

Na prática, as novidades neste modelo estreado pelo Lidl estão sobretudo relacionadas com a vertente arquitetónica e com a apresentação e organização das várias áreas de compra, para tentar tornar as lojas mais funcionais. Os corredores mais largos, o pé direito mais alto e a fachada da loja toda em vidro — para ter mais iluminação natural — são preocupações com eco evidente na nova loja do Lidl em Matosinhos.

Presente em Portugal há 20 anos, o Lidl tem hoje uma rede de 241 lojas no mercado português. Nos últimos anos, no entanto, o acréscimo de estabelecimentos da insígnia tem sido “marginal”, porque a aposta tem estado focada na “consolidação”, modernização e remodelação do seu parque de lojas. Um processo que nos últimos dois anos envolveu um investimento de €60 milhões.

As lojas do futuro

No Continente, a aposta na ideia de “hiper do futuro” arrancou em 2014 e foi cimentada este ano, com a remodelação, até ao momento, de cinco das suas lojas sob este conceito: Cascais, Matosinhos, Coimbra, Sintra e Amarante.

A ideia, explica a empresa, é cruzar “a ideia de conveniência” e “comodidade” dos hipermercados com “o melhor dos mercados tradicionais”. A divisão em três grandes áreas — mercado de frescos, mercearia e oferta especializada (livraria, garrafeira, beleza, etc.) — é o pilar em torno do qual tudo gira nestas lojas. Mas num contexto de forte concorrência no retalho e de crescimento do comércio eletrónico, a aposta passa também por criar “experiências de compra” que atraiam o consumidor às lojas físicas. Espaços lounge, ações de degustação de pizza ou sushi e aconselhamentos de beleza são alguns exemplos.

O mesmo propósito esteve na génese do novo Pingo Doce de Telheiras, em Lisboa, que reabriu no final de novembro totalmente renovado. A recriação da “atmosfera dos mercados tradicionais” na área de frescos da loja é também apontada como um dos destaques neste novo conceito “desenhado especificamente para esta loja”.

Mas a adaptação aos novos hábitos e interesses dos consumidores deu ainda azo a outras apostas, como a possibilidade de produzir sumos naturais na zona de frutas ou a criação de um novo espaço de sushi confecionado na hora. Uma novidade que, como sublinha fonte oficial do Pingo Doce, complementa a oferta de refeições que a empresa tem já disponível quer em serviço de take away quer nos espaços de restauração que se tornaram já comuns em lojas Pingo Doce: a insígnia tem já 37 espaços de restauração na sua rede de lojas, geridos diretamente pela empresa e que servem já em média cinco milhões de refeições por ano.

A necessidade de acompanhar estas novas tendências levou também o Intermarché a anunciar este ano a adoção de um novo conceito de loja, com nova imagem e uma nova organização, que inclui, por exemplo, a colocação na entrada das lojas de todos os serviços mais imediatos para o cliente, como a cafetaria, restauração ou take away.

Esta estratégia do grupo Os Mosqueteiros “está a ser aplicada de forma sequencial nas lojas do grupo” e deverá abranger “40 lojas por todo o país” em 2016. E será também adotado de raiz nas 63 lojas novas que o grupo prevê abrir em Portugal até 2020, num plano de investimento de cerca de €200 milhões.