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Rentabilidade da dívida na zona euro continua a descer

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Em dezembro, o retorno mensal das obrigações dos periféricos do euro é negativo e tem-se estado a agravar. Tal como no caso da Alemanha e no conjunto da dívida da zona euro. Juros das Obrigações do Tesouro português estão em 2,5%

Jorge Nascimento Rodrigues

A rentabilidade da dívida obrigacionista do conjunto da zona euro continua a descer, segundo o índice da Bloomberg para a dívida soberana. Em relação às últimas 52 semanas é, ainda, positiva, mas tem estado a descer, e, em termos mensais, desde o início de dezembro, é negativa e tem-se agravado.

Na segunda semana de dezembro, o retorno anual era de 2,36% e esta semana fechou em 1,98%. Em termos mensais, desde início de dezembro, o retorno foi de -0,4% na segunda semana e na terceira semana agravou-se, registando, agora, -0,7%.

Espanha pior do que Portugal

No caso do retorno da dívida portuguesa, o mensal está em -1,04% e o relativo às últimas 52 semanas é de 4,67%. Em pior situação está Espanha, com um retorno mensal de -1,08% e uma rentabilidade anual de 2,78%. A pior situação mensal regista-se no caso da Grécia, com um retorno de -2,89%, mas, em termos anuais, a rentabilidade é largamente positiva, de 15,72%, liderando na zona euro.

O mesmo padrão se verifica na rentabilidade da dívida alemã. Na semana que findou, o retorno mensal fechou em -0,52% e o anual registou 1,14%. Na semana anterior, os valores respetivos eram de -0,28% e 1,92%.

No mercado secundário da dívida obrigacionista, as yields das Obrigações do Tesouro português (OT), no prazo de referência, a 10 anos, subiram ligeiramente dois pontos base, fechando a semana em 2,5%. As maiores subidas semanais naquele prazo de referência registaram-se para as yields das obrigações espanholas (mais sete pontos base) e francesas (mais cinco pontos base).

Estes níveis de yields na zona euro são historicamente baixos. Em meados de março, no caso das OT a 10 anos, atingiram um mínimo histórico de 1,55%. São níveis anormalmente baixos, que derivam da política de estímulos monetários do Banco Central Europeu (BCE), e em particular desde o lançamento do programa de compra de dívida pública no mercado secundário iniciado em março.

No caso português, para os níveis de outubro, o Banco de Portugal estima que as yields estavam 2,5 pontos percentuais abaixo do "normal" se não existissem os estímulos do BCE. Ou seja, o "normal" andaria, então, entre 4,8% e 5%.

Desapontamento com pacote do BCE perdura

A trajetória das yields das obrigações na zona euro alterou-se com o impacto negativo do pacote de medidas adicionais de estímulos monetários do BCE divulgado a 3 de dezembro. Os mercados financeiros ficaram “desapontados” com apenas mais 680 mil milhões de euros anunciados pelo presidente Mario Draghi, pois esperavam mais, e as yields no mercado secundário subiram dos níveis onde se situavam, não tendo regressado a eles.

No caso das OT a 10 anos, depois de terem caído para 2,28% a 2 de dezembro, acabaram por fechar em 2,54% no dia seguinte. Atingiram um pico semanal de 2,61% a 16 de dezembro, no dia de anúncio da descida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed).

Durante a semana, o prémio de risco a dívida portuguesa subiu muito ligeiramente, de 194 para 195 pontos base, o que equivale a um diferencial de 1,95 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã, que, também, tem subido. O prémio de risco que mais subiu durante a semana foi o relativo à dívida espanhola. Espanha realiza este domingo eleições legislativas que poderão alterar o quadro político tradicional.

Adiado aprofundamento da divergência entre Fed e BCE

Os mercados financeiros esperavam do BCE, a 3 de dezembro, uma taxa de remuneração dos depósitos ainda mais negativa (ficou fixada em -0,3%) e um aumento mensal do volume de compras (o que não aconteceu) a par de uma extensão ainda maior do programa (que se ficou, apenas, por seis meses). O analista Marc Chandler, de Wall Street, considera pouco provável nova mexida de política monetária pela equipa de Draghi no primeiro trimestre de 2016.

Apesar da subida das taxas de juro pelo banco central norte-americano, o aumento decidido a 16 de dezembro foi "modesto", de apenas 25 pontos base (0,25 pontos percentuais), e, em 2016, será gradual e prudente, recusando qualquer "fórmula mecânica", como sublinhou a presidente da Fed, Janet Yellen. A expetativa para um próximo aumento centra-se, agora, nas reuniões de março e de abril do próximo ano. Segundo os futuros das taxas de juro da Fed, a probabilidade implícita de um segundo aumento em março é de 52% e em abril sobe para 59%. Para 17 de janeiro é, apenas, de 10%.

Os analistas conluem, por isso, que o aprofundamento da divergência em política monetária entre a Fed e o BCE está adiado provavelmente até ao final do primeiro trimestre de 2016.

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