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Bolsas no vermelho pela quarta semana consecutiva

Mínimos do petróleo anularam efeito positivo da decisão da Fed. Índice mundial bolsista fechou ligeiramente abaixo da linha de água pressionado por perdas em Nova Iorque. Maré vermelha desde a última semana de novembro. Bolsas mundiais já perderam €3,5 biliões desde início do ano

Jorge Nascimento Rodrigues

O índice MSCI para o conjunto das bolsas mundiais perdeu 0,03% durante a semana. Uma queda de capitalização na ordem de 20 mil milhões de euros.

É a terceira semana de dezembro em terreno negativo, ainda que a quebra tenha sido muito ligeira face a uma perda de 3,53% na semana anterior, equivalente a um rombo de 2 biliões de euros, e um recuo de 0,46% na primeira semana do mês, de cerca de 260 mil milhões de euros. Trata-se da quarta semana consecutiva no vermelho. Na última semana de novembro, o índice MSCI mundial registou perdas de 0,33%.

Desde início do ano, o índice mundial já caiu 5,82%, o equivalente a uma perda de capitalização bolsista de 3,9 biliões de dólares (cerca de 3,5 biliões de euros) em relação ao final de dezembro de 2014.

O ligeiro recuo do índice mundial na semana de 14 a 18 de dezembro deveu-se à quebra de 0,34% do índice para os Estados Unidos, envolvendo as duas principais bolsas do mundo, o New York Stock Exchange (NYSE) e o Nasdaq. Os outros dois outros índices “regionais” mais importantes, para a Europa e Ásia Pacífico, registaram ganhos, ainda que muito modestos, durante a semana. O MSCI para a Europa subiu 0,10% e o índice para a Ásia Pacífico avançou 0,13%. O melhor desempenho da semana ocorreu com o índice para os mercados emergentes que registou um ganho de mais de 2%.

O que marcou a semana

A semana ficou marcada por três factos, com impactos de sinal contrário.

A decisão na quarta-feira da Reserva Federal norte-americana (Fed) em iniciar a subida da sua taxa de juros acabou por ser bem “digerida” pelos mercados financeiros. O abandono das taxas de juro, perto de zero por cento desde dezembro de 2008, já havia sido antecipado e as declarações tranquilizadoras da presidente da Fed, a economista Janet Yellen, de que próximas subidas seriam graduais e prudentes, evitaram um impacto negativo, inclusive nos mercados emergentes.

O efeito positivo gerado pela decisão do banco central norte-americano acabaria, no entanto, por ser eclipsado pela continuação da descida do preço do barril de petróleo e pela divulgação do “livro bege” sobre a economia chinesa que aponta para o agravamento do abrandamento da segunda maior economia do mundo no quarto trimestre do ano.

A descida do preço do barril de Brent, de referência na Europa, continua a surpreender os mercados financeiros e alimentou alguma volatilidade nas bolsas de ações da Europa e em Wall Street. Na sexta-feira, o preço do Brent encerrou a sessão em 36,67 dólares, um novo mínimo desde há sete anos. O preço do Brent desceu 3,3% durante a semana e já caiu 17% desde início de dezembro. O mínimo registado em 26 de dezembro de 2008 situa-se em 33,77 dólares, pelo que o final de 2015 testará se o preço do Brent descerá até esse nível, ou mesmo se ficará abaixo.

O mercado petrolífero continua a estar marcado pela decisão do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), na sua cimeira de 4 de dezembro, em não cortar a produção diária. O cartel está inclusive a produzir acima do seu anterior teto oficial e a Agência Internacional de Energia já avisou que a situação de excedente na oferta mundial vai perdurar até “tardiamente em 2016”.

Queda continuada dos preços das matérias-primas

Apesar de uma subida dos índices de preços das matérias-primas na sexta-feira, segundo dados da Bloomberg, Reuters e S&P GSCI, o conjunto da semana ficou marcado por uma nova descida. O índice da Bloomberg recuou 1,2%, o CRB da Reuters perdeu 3,6% e o S&P GSCI caiu 4,7%. Segundo dados da Investing.com, os preços subiram em 14 matérias-primas e desceram em 21 durante a semana. Caíram mais de 10% nos casos dos preços da aveia e do gás natural. Subidas de preços acima de 3% registaram-se no farelo de soja, no açúcar cotado em Londres e nos bovinos vivos.

A queda continuada de preços nas matérias-primas afeta seriamente as economias exportadoras líquidas de commodities, e tanto mais quanto o seu PIB e receitas públicas forem dependentes de uma ou de um núcleo muito pequeno.

A presidente do banco central norte-americano pensa que a descida de preços do petróleo, que também a "surpreendeu", é um "fator transitório". A questão é saber quanto tempo durará essa "transitoriedade".

Apesar de alguma volatilidade nas bolsas, os valores do designado índice de pânico (VIX) para a Europa e para Wall Street estão muito abaixo dos níveis atingidos em agosto aquando da crise bolsista chinesa. A 14 de dezembro, o índice VIX para o Eurostoxx 50 europeu chegou a 30 euros; fechou em 23,9 euros na sexta-feira passada. Recorde-se que, na crise de agosto, o VIX europeu atingiu um pico de 45,7 euros.

Ano no vermelho

As bolsas mundiais em 2015 estão a sofrer uma quebra de capitalização. A crise bolsista chinesa de agosto, o pânico com a queda continuada dos preços do petróleo para mínimos de sete anos e o “desapontamento” com o pacote de mais estímulos monetários do Banco Central Europeu estão a marcar o ano.

Em 2014, as bolsas mundiais ganharam 2,1%, mas, no ano em curso, até à data, já perderam 5,8%, cerca de 3,5 biliões de euros. Nas três grandes “regiões”, a Europa lidera as quedas, com uma perda de 6,7% face a um recuo de 5,9% para a Ásia Pacífico e uma descida de 2,6% para os EUA. No conjunto dos índices MSCI, a capitalização das bolsas dos mercados de fronteira (que abarcam as economias em desenvolvimento ainda não consideradas emergentes) perdeu 19% e a dos mercados emergentes recuou 17,4%.

A maior quebra em 2015 registou-se, até à data, em agosto, com a capitalização mundial a descer 5,5 biliões de dólares durante o mês. O pico do ano verificou-se em maio. Em dezembro de 2014, a capitalização mundial era de 66,8 biliões de dólares, segundo os dados da World Federation of Exchanges. Em maio de 2015 subiu para 70,9 biliões de dólares. O dado mais recente disponível reporta ao final de outubro com uma capitalização de 63,8 biliões de dólares.