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TAP. “Fizemos mais nestas duas semanas do que o que foi feito nos últimos 15 anos”

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JOSÉ CARLOS CARVALHO

David Neeleman diz já ter pago 80 milhões de euros a fornecedores e 100 milhões de euros da dívida da companhia aérea. “Sem capital, a empresa não podia fazer nada”, afirmou o dono norte-americano da TAP, em entrevista à TVI

De alfinete da TAP na lapela do casaco, David Neeleman começou por justificar por que motivo o processo de privatização foi acelerado. “Tivemos de fazer tudo muito rápido, porque a TAP não tinha dinheiro nem para salários e devia 80 milhões de euros a fornecedores”, explicou na quinta-feira à noite, em entrevista à TVI, no mesmo dia em que houve o primeiro contacto formal com o Governo no sentido de o Estado poder vir a recuperar a maioria do capital na transportadora.

Neeleman fez questão de destacar que desde que ficaram com 61% do capital da TAP, há mais de um mês, os novos donos da companhia aérea já injetaram 180 milhões de euros na empresa. “E vamos colocar mais 120 milhões de euros no próximo mês”, adiantou. “Fizemos mais nestas semanas do que o que foi feito nos últimos 15 anos. Sem capital, a empresa não podia fazer nada”.

“A TAP não tinha dinheiro, o Governo não podia colocar dinheiro na empresa. Todos os bancos concordaram em trabalhar connosco porque sabem que a privatização foi essencial para colocar capital fresco na empresa”, afirmou Neeleman.

O empresário norte-americano falou depois de o ministro do Planeamento e Infraestruturas ter chamado os novos acionistas (Neeleman e Humberto Pedrosa) para formalizar a intenção do Governo de reverter a privatização da TAP, reduzindo a posição para apenas 49%.

Neeleman disse compreender a preocupação do Governo – porque a TAP é uma empresa “que gera mais de 2 mil milhões de benefícios (receitas) para a economia portuguesa” e porque dela “dependem 13 mil famílias” – mas deixou claro que os novos acionistas não têm “interesse em ter uma empresa que é do Estado, o contrato é diferente do que assinámos”.

O sócio de Humberto Pedrosa reconheceu que o contrato “não é fácil”, mas assegurou que a Atlantic Gateway vai cumprir tudo o que está no contrato. “Não podemos tirar lucro até estar tudo pago”, sublinhou. “Não vamos tirar nada da empresa, só estamos a por dinheiro. Espero que comece a gerar lucro para pagar dívida. Se não conseguirmos o Governo reassume a empresa, como uma empresa melhor”, acrescentou.

O novo dono da TAP disse esperar que a TAP regresse aos lucros já no próximo ano, mas admitiu que isso poderá só acontecer em 2017, com a ajuda da recuperação da crise no Brasil – destino que é responsável por 25% das receitas da companhia aérea.

No Brasil, a companhia vai usar as “sinergias com a Azul para baixar os custos”, sublinhou o empresário. E tal como já acontece com a Azul, companhia aérea brasileira de que Neeleman é presidente e acionista, a TAP também terá “um acordo de conectividade com a JetBlue”, companhia norte-americana que o empresário fundou. Recorde-se que a TAP passou a disponibilizar, desde dia 10, voos partilhados com a Azul para mais de 20 destinos no Brasil.

Destinos americanos como Boston, Washington, Chicago, Montreal, Toronto, Providence e Hartford estão a ser analisados.