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Pedrosa não aceita 49% da TAP mas está pronto a negociar “o conforto do Estado”

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Pedrosa (à esquerda) e Neeleman (à direita) são os donos privados da TAP

José Carlos Carvalho

Líder do consórcio que é dono de 61% da TAP diz que o seu projeto não é compatível com uma participação minoritária. António Costa afirmou esta sexta-feira que o “Estado retomará 51% do capital” - e sublinhou que será assim com ou sem com acordo com os privados

"A TAP é demasiado importante para o país e para todas as partes envolvidas na empresa - o consórcio Gateway que tem 61% do capital, o Estado que tem 34% e todos os seus 13.268 trabalhadores - e por isso acredito que vai haver uma solução onde impere o bom senso", refere ao Expresso o empresário Humberto Pedrosa, líder do consórcio Gateway. No entanto, diz que "o nossso projeto não é compatível com uma posição minoritária, porque as responsabilidades de gestão que assumimos não se coadunam com uma participação de 49%", diz.

"Estou pronto para me sentar à mesa com o Governo para trabalharmos numa solução que dê ao Estado todo o conforto que pretender, com o número de administradores executivos que faça o Estado ter a posição de conforto que considera que deve ter, mas isso não significa que o nosso projeto seja conciliável com a redução de 61% para 49%", afirma Humberto Pedrosa.

Para o empresário, presidente do Grupo Barraqueiro, "todas as questões de compensações que teriam de ser observadas contratualmentemente numa redução da participação de 61% para 49% estão consagradas legalmente e devidamente salvaguardadas para o Estado e para o consórcio Gateway, mas isso é irrelevante para nós".

"O que é importante e decisivo é mantermos o controlo da gestão, relançarmos a TAP e prosseguirmos o plano de modernização da frota e a compra de 53 novos aviões, e, por isso, nem sequer me preocupei em saber quanto é que o consórcio teria a receber por passar de 61% para 49%, porque essa nem sequer é a questão central neste projeto", comenta Humberto Pedrosa.

"Acredito na TAP, tal como acredito em todas as empresas em que asseguro a gestão, porque tenho um projeto e isso implica o controlo da gestão, sendo incompativel com uma participação minoritária", refere o empresário. "Creio que deve haver bom senso sobre a TAP e se o Governo quer que o Estado tenha mais conforto, isso pode ser garantido através da nomeação de administradores executivos do Estado, que continua a participar na TAP com 34% do seu capital".