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Maré vermelha regressa às bolsas da Ásia e Europa

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O efeito positivo do anúncio da Fed foi de curta duração. Depois de Wall Street na quinta-feira, Ásia fecha com perdas e Europa abre em queda nesta sexta-feira. Nem mesmo mais estímulos monetários do Banco do Japão animaram

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas da Ásia Pacífico fecharam esta sexta-feira no vermelho, depois de dois dias em que ganharam quase 3%. O índice MSCI para a região encerrou a perder 0,6%, pressionado sobretudo pela queda nas bolsas de Tóquio e Hong Kong.

A Europa também abriu em terreno negativo com Paris, Amesterdão e Frankfurt a liderar quedas perto de 1% e o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro) recuava mais de 1%.

O efeito positivo das decisões anunciadas na quarta-feira pela Reserva Federal norte-americana (Fed), apontando para uma subida gradual da taxa de juro em 2016, foi sol de pouca dura. Wall Street fechou no vermelho na quinta-feira e o sentimento negativo contagiou a Ásia no dia seguinte e parece estar a marcar o início da sessão na Europa, ainda que em algumas bolsas a trajetória não esteja definida, como são os casos de Atenas, Bruxelas, Budapeste e Lisboa, por exemplo.

A continuada queda do preço do barril de petróleo, com o Brent a fechar na quinta-feira abaixo de 37 dólares, um novo mínimo desde dezembro de 2008, eclipsou o efeito Fed. Nem mesmo o anúncio esta sexta-feira de “medidas suplementares” de estímulos monetários pelo Banco do Japão animou as bolsas asiáticas. Mesmo em Tóquio o efeito positivo foi de curta duração, com o índice Nikkei 225 a perder 1,9% e o TOPIX a cair 1,76%. O Nikkei acumula uma perda semanal de 1,3%. Tóquio é a terceira bolsa mais importante do mundo depois do NYSE e do Nasdaq em Nova Iorque.

O preço do barril de petróleo de Brent aumentou 0,5% durante a sessão asiática, fechando em 37,18 dólares, e o índice Bloomberg para as principais matérias-primas subiu 0,2%.

Ásia fecha em queda. Nem mesmo mais estímulos do Japão animam

As bolsas da Ásia Pacífico fecharam em terreno negativo, com exceção de Sidney, onde o índice ASX 200 conseguiu encerrar acima da linha de água com um ganho ligeiro de 0,09%. Tóquio, como já foi referido, fechou com perdas superiores a 1,5% e o índice Hang Seng, de Hong Kong (a quinta bolsa mais importante do mundo), desceu 0,53%. Em Seul, o índice KOSPI caiu 0,13% e, em Taipé, o índice geral de Taiwan perdeu 0,75%.

Na China, que abarca as quarta e sexta mais importantes bolsas do mundo, o fecho foi no vermelho para os índices compostos de Xangai e de Shenzhen, que perderam 0,03% (uma queda muito ligeira) e 0,28% respetivamente. Os índices CSI 300 (para as trezentas principais cotadas) e A50 (para as cinquenta principais cotadas com ações de tipo A) fecharam com ganhos de 0,32% e 0,93% respetivamente.

Nos mercados emergentes e de fronteira da Ásia Pacífico, o sentimento foi, também, negativo. As bolsas da Indonésia, Filipinas, Malásia e Tailândia fecharam em terreno negativo, com as maiores quedas da região asiática em Jacarta (índice IDX recua 1,92%) e Banguecoque (índice FTSE perde 2,07%). O índice BSESensex, de Mumbai, caiu 1,1%.

A política de “alívio” monetário prossegue na Ásia em divergência com os passos que foram iniciados pela Fed nos EUA.

O banco central de Taiwan decidiu na quinta-feira descer ligeiramente a taxa diretora para 1,625%.

Hoje foi a vez do Banco do Japão (BoJ), na sua última reunião do ano, aprovar um pacote do que designou como “medidas suplementares de alívio quantitativo e qualitativo” ( QQE no acrónimo em inglês, para se distinguir do QE, quantitative easing apenas) face a uma perspetiva reincidente de uma taxa de inflação perto de 0%. Numa decisão polémica, com uma votação de 6 a favor e 3 contra no comité de política monetária nipónica, o BoJ decidiu aumentar as compras de ativos de risco, criar uma nova categoria de entidades elegíveis para estímulos (“as empresas que proactivamente invistam em capital físico e humano”) e estender, a partir de janeiro, de 7 a 10 anos para 7 a 12 anos a maturidade das obrigações que detém em carteira.

No entanto, como explicou o governador Haruhiko Kuroda, o novo pacote não produz um aumento do volume anual de estímulos que continua em 80 biliões de ienes por ano.

Entretanto, em Nova Iorque, o China Beige Book International divulgou, na noite de quinta-feira (final da manhã de sexta-feira em Pequim), o seu último inquérito do ano junto de 2000 empresas e 160 banqueiros chineses, concluindo que a situação na segunda maior economia do mundo piorou no quarto trimestre. “O governo pode não estar disposto a reconhecê-lo oficialmente, mas o abrandamento agravou-se, e será difícil esconder isso”, concluem os responsáveis pelo livro bege.