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Mota-Engil. Cotação impede sucesso do aumento de capital

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Com a cotação 20% abaixo do preço do aumento de capital, a Mota-Engil tem de financiar com 33 milhões de euros a retirada de bolsa da sucursal africana

O aumento de capital em curso na Mota-Engil SGPS a um preço bem superior à atual cotação vai forçar a empresa a retirar 33 milhões de euros dos seus depósitos bancários ou recorrer a um empréstimo para financiar a compra das ações da Mota-Engil África (MEA( que não controlava.

A subscrição decorre até 28 de dezembro, mas a tranche reservada aos acionistas em geral ficará seguramente deserta. Não é racional subscrever uma ação a 2,4814 euros quando a pode comprar em bolsa, a 1,93 (fecho de quarta-feira), com um desconto de 20%.

Como se explica esta disparidade de preços? Quando há um mês anunciou a operação, a empresa entrou com as cotações médias dos últimos seis meses, o mesmo critério que aplicara para o valor da oferta de aquisição da MEA, bloqueando o rácio implícito na troca entre as duas holdings com base nas suas cotações. Sucede que a Mota - Engil SGPS é das cotadas que mais perdeu em 2015 (27%) e as suas cotações não resistiram, depois do máximo anual de 3,7 euros.

Família Mota reforça

Um segundo efeito do insucesso do aumento de capital será o reforço da família Mota, que se comprometeu a aplicar a receita da venda da participação da MEA (77 milhões de euros) neste aumento de capital da Mota-Engil SGPS. Antes da operação, a família Mota detinha 57% e ficará depois com 63%.

Analistas contactados pelo Expresso consideram “irrelevante para a Mota-Engil, SGPS” os efeitos deste insucesso. No balanço, a empresa regista 250 milhões de euros de disponibilidades e ainda a semana passada realizou um empréstimo obrigacionista de 15 milhões, por colocação particular, a 3,25%.

A operação revelava-se neutra para o grupo. Da MEA saem 110 milhõesde euros que deveriam entrar na casa-mãe. Mas um terço do valor perde-se na transferência.

A emissão de 44,6 milhões de ações que aumentaria o capital para 249,3 milhões de euros, acolhe duas ofertas distintas e tem a particularidade de lidar com uma margem de segurança do lado da família Mota que permite cobrir parcialmente o insucesso da tranche para os restantes acionistas.

Explicando melhor. Com a reserva de 22,7 milhões de ações para os pequenos acionistas, sobra para a família Mota um lote idêntico. Mas, no limite a família Mota pode subscrever 31,1 milhões de ações. A Mota Engil SGPS absorve o encaixe da família que resulta da sua participação na MEA. Se a procura de ações fosse entusiástica, a família abdicaria do do excedente, para não diluir as posições dos outros acionistas e ficando com uma parte do pecúlio da receita da operação da MEA. Mas, no cenário atual essa questão não se coloca.