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Donos da TAP vão pôr mais €120 milhões na empresa se continuarem com a maioria do capital

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José Carlos Carvalho

A primeira reunião de Humberto Pedrosa e David Neeleman com a equipa do ministro Pedro Marques não deu frutos. O consórcio Gateway não sabe como é que o Estado recupera a maioria na TAP e consegue relançar a empresa

Humberto Pedrosa, líder do consórcio Gateway - que comprou 61% da TAP a 12 de novembro -, teve esta quinta-feira a primeira reunião com o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, na qual foi informado que o Estado quer recuperar a maioria do capital da transportadora. "Não sei como vão fazer isso", refere ao Expresso o empresário português, recordando que "o Estado, enquanto deteve a totalidade do capital da TAP, não recapitalizou a empresa e nós já lá colocámos 180 milhões de euros, que foram utilizados para resolver problemas urgentes da TAP". Agora - diz - "vamos colocar mais 120 milhões de euros em janeiro, mas isso só faz sentido porque controlamos a gestão da TAP, com 61% do seu capital".

"Estamos interessados em chegar a um consenso com o Estado, para uma solução que permita relançar a TAP, tal como projetámos, mas isso não é compatível com um modelo em que o Estado detenha a maioria do capital", refere Humberto Pedrosa.

Depois de celebrar os 100 anos do grupo Barraqueiro, Humberto Pedrosa explicou ao Expresso que "no sector do transporte aéreo sempre houve condicionalismos à entrada de capital por parte dos Estados e a injeção de dinheiros públicos".

"Se o Governo quer retomar a participação maioritária do Estado na TAP é porque certamente já terá pensado em soluções que permitam colocar todo o capital necessário ao relançamento da companhia aérea e ao seu desenvolvimento, sobretudo num momento como o atual, em que o mercado do transporte aéreo está tão competitivo e exige capital para as empresas se desenvolverem", refere Humberto Pedrosa.

"Esse cenário não é compatível com o nosso projeto, porque queremos investir na TAP sabendo que controlamos a sua gestão e podemos tomar as decisões necessárias ao seu desenvolvimento", afirma o empresário.

"Se o Estado tiver a maioria, isso pode ser mais complicado porque há sempre decisões de gestão que podem não ser coincidentes com o nosso projeto, inviabilizando o investimento da Gateway, que só é feito no pressuposto de que estamos a desenvolver um projeto que controlamos", explica o empresário.

"Isso não quer dizer que não estejamos abertos a discutir uma forma de podermos conciliar o nosso projeto de crescimento, renovação e recapitalização da TAP, com a forma do Estado conjugar os seus interesses, mas não me parece que isso seja conseguido exclusivamente pelo controlo de 51% do capital da TAP pelo Estado", conclui Humberto Pedrosa.

  • TAP. Reunião com o Governo foi inconclusiva

    A reunião entre a equipa do ministro do Planeamento e das Infraestruturas e os empresários que compraram 61% da TAP foi apenas exploratória, sem chegar à apresentação de detalhes objetivos por parte do Estado