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Bolsas mundiais ganharam mais de 1,3% em dia de subida dos juros pela Fed

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Esta quarta-feira, Ásia Pacífico liderou as subidas. A decisão da Fed acabou por não ser uma surpresa para os mercados emergentes, a intenção foi comunicada com tempo, alega a presidente Janet Yellen. Ásia abre quinta-feira com ganhos em Tóquio, Sidney e Seul

Jorge Nascimento Rodrigues

O mercado bolsista mundial registou esta quarta-feira uma subida de 1,34%, segundo o índice MSCI para todos os países. O movimento em alta do índice mundial foi o segundo consecutivo esta semana, depois de seis sessões no vermelho. Contudo, o índice mundial ainda está em terreno negativo em dezembro, com uma quebra de 1,65% desde início do mês.

As subidas mais significativas registaram-se esta quarta-feira para a Ásia Pacífico, os Estados Unidos e os mercados emergentes. O índice MSCI para a região asiática avançou 2,24%, enquanto os índices MSCI para os EUA e mercados emergentes registaram ganhos de 1,46% e 1,4% respetivamente. O desempenho mais fraco observou-se com a Europa, cujo índice subiu apenas 0,46%.

A decisão da Reserva Federal norte-americana só foi comunicada pelas 14h de Washington (19h em Portugal). O que ainda influenciou o andamento das bolsas no continente americano, mas já não o fecho na Europa. Na América Latina, o índice Ibovespa subiu 0,32%,o IPC da bolsa mexicana ganhou 1,2% e o IPSA da bolsa chilena avançou 1,38%. No vermelho fechou o índice Merval de Buenos Aires, a cair mais de 2%.

Só dia 17 de dezembro se verificará o primeiro impacto na sessão asiática e, depois, na sessão europeia. Na Ásia, já abriram as bolsas de Tóquio, Sidney e Seul na primeira sessão de quinta-feira. Na abertura, os índices das três bolsas estão a registar ganhos, com o TOPIX nipónico a liderar as subidas, avançando 1,78%. O ASX 200 australiano subia 1,63%, o Nikkei 225 japonês avançava 1,78%, e o KOSPI em Seul ganhava mais modestamente 0,73%.

Preocupação com o impacto nos emergentes

O risco de um impacto negativo as economias emergentes tem sido um dos aspetos mais antecipados em relação à decisão da Fed. A presidente Janet Yellen foi confrontada com o problema na conferência de imprensa que realizou em Washington na quarta-feira depois do anúncio da decisão da Fed em subir as taxas de juro do mínimo histórico em que estavam desde dezembro de 2008. Yellen disse, em síntese, que a decisão tomada na quarta-feira não caiu como uma “surpresa” nos mercados emergentes, que foi "bem comunicada" com tempo.

“Afirmámos um compromisso com os decisores dos mercados emergentes que faríamos o nosso melhor para comunicar do melhor modo possível as nossas intenções de política monetária para evitar impactos que pudessem resultar de um movimento de política abrupto ou não antecipado. Penso que este movimento já era esperado e foi bem comunicado, pelo penos eu espero que sim. Por isso, não penso que tenha sido uma surpresa”, sublinhou Yellen na conferência de imprensa em resposta a uma pergunta da Agence France Press.

Yelen aproveitou para chamar a atenção dos mercados emergentes que poderá não haver só impactos negativos: “Podem ocorrer impactos negativos por via dos fluxos de capitais, mas, lembrem-se, que, também, há impactos positivos de uma economia norte-americana forte”. A razão da possibilidade de exploração desta janela de oportunidade prende-se, disse Yellen, com o facto de que “muitos mercados emergentes estão hoje numa posição mais forte do que estavam nos anos 1990”.

Mas, reconhece que há muitos emergentes que têm sido afetados pela quebra dos preços das matérias-primas. “Por isso, monitorizaremos com muito cuidado, mas tomámos as precauções para evitar impactos negativos desnecessários”, garantiu a presidente do banco central norte-americano.

Logo após o anuncio da decisão da Fed, o jornal "South China Morning Post", de Hong Kong, alertava para o risco de saídas de capitais na ordem de milhares de milhões desta praça financeira asiática.

Para tranquilizar os mercados financeiros, a Fed e a sua presidente repetiram palavras chave como "gradual" e "prudencia" em decisões futuras, para já ao longo de 2016, garantindo ainda que gradualismo não significa uma qualquer "fórmula mecânica" nas próximas subidas de taxas de juro. Deixou, também, a garantia que, se a realidade evoluir num sentido contrário às previsões e pressupostos desta decisão, nomeadamente em termos de riscos deflacionários, a Fed realizará os ajustamentos necessários.

  • As bolsas de Nova Iorque fecharam esta quarta-feira com ganhos superiores a 1%. O empurrão começou a notar-se uma hora antes da divulgação da decisão do banco central em aumentar as taxas de juro e consolidou-se depois do início da conferência de imprensa dada pela presidente da Reserva Federal

  • O banco central dos Estados Unidos anunciou que a taxa diretora de juros aumenta 0,25 pontos percentuais. Os 10 membros do comité de política monetária apoiaram, por unanimidade, a decisão muito aguardada. O processo será "gradual"