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Decisão histórica. Fed aumenta taxa de juro

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O banco central dos Estados Unidos anunciou que a taxa diretora de juros aumenta 0,25 pontos percentuais. Os 10 membros do comité de política monetária apoiaram, por unanimidade, a decisão muito aguardada. O processo será "gradual"

Jorge Nascimento Rodrigues

A última reunião do ano do comité de política monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed) decidiu subir em 0,25 pontos percentuais a taxa diretora de juros e a taxa de redesconto já a partir de amanhã.

A decisão do banco central dos Estados Unidos foi tomada esta quarta-feira por unanimidade e é a primeira subida em mais de nove anos, terminando com a política de juros próximo de zero seguida desde precisamente há sete anos, no auge da grande crise financeira.

Os 10 membros do comité decidiram subir o intervalo da taxa diretora de 0% a 0,25% para 0,25% a 0,50%, na linha do que era esperado pelos analistas, e a taxa de redesconto para 1%.

A presidente da Fed, a economista Janet Yellen, dará uma conferência de imprensa em Washington dentro de meia hora.

O banco central norte-americano não mexia nas taxas de juro desde 16 de dezembro de 2008, precisamente há sete anos, quando decidiu fixá-las num intervalo entre 0% e 0,25%, um mínimo histórico. Os banqueiros centrais já não subiam taxas desde 29 de Junho de 2006.

Evitar o erro de fazer tarde e abruptamente

A Fed decidiu dar este passo porque considera que, apesar do "ritmo moderado" da expansão económica, os "riscos estão equilibrados". E, por isso, mais vale proceder a uma subida das taxas de juro agora do que "demasiado tarde", em condições em que teria de ocorrer uma subida "relativamente abrupta" e maior para evitar que "a economia sobreaquecesse e a inflação disparasse". Um erro que esta equipa liderada pela presidente Janet Yellen diz não querer cometer. Um tal aperto abrupto provocaria um choque que poderia fazer recair a economia em recessão.

Na lógica da decisão da Fed, o início da subida da taxa de juro não é prematuro, podendo provocar uma recaída na recessão; mas, pelo contrário, ao decidir mais cedo do que tarde, a subida agora, modesta, e depois gradual, é que evita uma recessão provocada por uma dinâmica tardia e abrupta.

A mensagem principal da decisão é que o banco central norte-americano está "confiante na economia" dos EUA. O PIB deverá ter crescido uma média de 2,25% nos três primeiros trimestres do ano e as projeções apontam para 2,1% no conjunto do ano de 2015 e uma subida ligeira para 2,4% no ano seguinte.

Factores transitórios geram inflação baixa

A decisão de iniciar a subida das taxas de juro foi tomada pois, no entender da Fed, são "transitórios" os fatores que estão a manter a inflação num nível tão baixo, nomeadamente através das importações energéticas e de produtos não energéticos. A inflação subiu para 0,5% em novembro e a previsão para 2015 é que se situe em 0,4%, um nível muito baixo. Mas a Fed projeta 1,6% para o próximo ano, subindo até 1,9% em 2018 e finalmente 2% - a meta de médio prazo da política monetária - em 2020. No plano do desemprego, que desceu para 5% em novembro, o banco central espera que desça ainda mais em 2016, para 4,7%, um nível que muitos economistas consideram de pleno emprego.

Para acalmar os mercados financeiros, a Fed garante que espera que a evolução da situção exija "apenas subidas graduais" da taxa de juros -- a palavra chave "gradual" está bem expressa na orientaçõa futura de atuação do banco central. A "prudência" continua a ser o elemento central da metodologia de decisão do comité, avaliando "um amplo leque de informação" de dados do mercado laboral, das expetativas e previsões sobre inflação e desenvolvimentos financeiros e internacionais.

Na comunicação do banco central, as palavras "gradual" e "prudente" face ao futuro, e "aumento modesto" e "pequeno aumento" em relação à medida hoje tomada de subida de apenas 25 pontos base, são sinais para tranquilizar os mercados financeiros.

Política mantem-se "acomodatícia"

Além do desejo de um "gradualismo", a Fed salienta que as taxas permanecerão "por algum tempo abaixo de níveis que seriam expetaveis no longo prazo". Como refere o comunicado, apesar da subida, a postura do banco central norte-americano continua "acomodatícia".

As projeções dos aumentos das taxas de juro expressas pelos membros do comité continuam similares a anteriores, apontando para quatro subidas em 2016 com a taxa diretora a subir gradualmente no novo intervalo até perto de 1,25% a 1,5%. A projeção é para uma subida de 100 pontos base até final do próximo ano. As probabilidades de uma segunda subida estão em 48% para a reunião de 16 de março e 55% para a reunião de 27 de abril, segundo os futuros das taxas de juro no observatório da CME. A Fed garante que subida gradual não significa uma "fórmula mecânica, uniformemente cronometrada e com a dimensão igual".