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Madeira. Longas filas à porta das agências do Banif

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Filas à hora de abertura dos balcões, clientes esperam há horas para ser atendidos, mas não há registo de incidentes

Marta Caires

Jornalista

Agências cheias, filas à hora de abertura e o mesmo sentimento de insegurança em relação ao futuro do Banif. O quadro repete-se esta terça-feira por quase toda a Madeira, onde o banco tem a sua origem e a maioria dos clientes.

José Chaves, funcionário público, foi um dos clientes que decidiu ir esta manhã ao balcão da sede do banco no Funchal pedir esclarecimentos, mas optou por não levantar o dinheiro das contas. "Fiz umas transferências internas, mas deixei ficar o dinheiro. Se estou descansado? Ninguém está descansado. As pessoas estão escaldadas depois do que aconteceu no BES".

A agência do centro do Funchal está cheia, mas até ao momento não há registo de incidentes. Nem todos estão calmos, alguns clientes, como um casal de antigos emigrantes que não quis dar o nome, estão revoltados com as notícias, com o "boato que pode deitar o banco ao chão". O antigo emigrante na África do Sul só tirou dinheiro para o Natal, os mais de 300 mil que tem no Banif ficaram lá.

"O funcionário que nos atendeu perguntou se queríamos levantar e podia ser por transferência, por cheque ou por levantamento em dinheiro. Deixamos ficar tudo as obrigações, as ações, a conta à ordem e a conta a prazo. As ações estão em baixo, mas isso foi por causa das notícias", explica o antigo emigrante que tem conta no Banif por causa de Horácio Roque. "Acreditei sempre naquele homem."

Agência do Banif em Santa Cruz

Agência do Banif em Santa Cruz

DR

Apesar do apelo à calma de Miguel Albuquerque, a corrida aos balcões mantém-se pelo segundo dia e, na Madeira, há já quem reclame uma posição mais firme do Banco de Portugal de modo a conter a saída de dinheiro. O colapso é pior que podia acontecer, disse já Albuquerque que tem garantias do primeiro-ministro que tudo está a ser feito para proteger depositantes e acionistas.

O banco ainda é líder de mercado na Madeira, onde segundo o site tem uma quota de 34% e 29 balcões espalhados pelos 11 concelhos da Região. O Banif é principal financiador da economia regional, tanto de privados como do Governo Regional.

As boas relações de Jardim com Horácio Roque, o antigo dono do banco, fez da instituição bancária um aliado importante da política regional e dos momentos de aperto financeiro. Em contrapartida, durante anos, os funcionários públicos recebiam o salário através das contas do Banif.

O banco tem ainda uma quota importante de contas de emigrantes, muitos dos quais estão na Madeira para passar o Natal. O que fez aumentar a afluência às agências para pedir informações e decidir se o dinheiro fica ou se o levantam. Os que não estão na Madeira enviaram os procuradores e os familiares pedir esclarecimentos.

A saída de dinheiro começou esta segunda-feira depois das notícias sobre o fim do banco. As agências da Caixa Geral de Depósitos registaram um aumento anormal de novas contas e os funcionários fizeram horas extras para atender os novos clientes. Alguns, como o Expresso noticiou, não confiaram nas transferências entre bancos e optaram por levantar em dinheiro as poupanças todas.